Neve

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Espírito Santo - Domingos Martins

Fomos visitar a serra Capixaba começando na cidade de Domingos Martins  colonizada por alemães e italianos no século XIX .   No acesso da cidade tem um belo pórtico em arquitetura colonial construído em 1992 . 

A sede do município, conhecida como Campinho, tem uma forte influência alemã, enquanto em outros distritos mais distantes refletem claramente suas origens italianas.Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, muitos dos descendentes de alemães foram perseguidos e se afastaram para bairros mais distantes criando várias vilas.Uma delas chamada de Melgaço, é composta quase que 100% por descendentes de Pomeranos, vindos de uma região da Alemanha. Além do alemão, eles falam um dialeto próprio que só eles entendem.Estas comunidades se tornaram quase auto-suficientes e por isto, muitos dos seus habitantes não conhecem nenhuma palavra em português. É incrível, são pessoas nascidas no Brasil, que viveram aqui por 60 ou 70 anos e não falam nem “Bom Dia” em nosso idioma.
A cidade oferece vários circuitos turísticos alguns realizados em fazendas e sitios das adjacências integrando estas propriedades rurais com suas comidas típicas, paisagens e peculiar modo de vida.Outros com trilhas ecológicas, boa comida, e oferta de produtos orgânicos certificados. Há também o Circuito do Galo realizado na comunidade do Galo que fica a dez quilômetros da sede do município rodeada pela Mata Atlântica e, onde está a cascata do galo com trilhas, casas em estilo pomerano, opções de lazer e belezas naturais. O circuito do chapéu fica perto da sede do município sendo feito nas comunidades que ficam a  870 metros de altitude reunindo  belas paisagens, caminhadas ecológicas, produtos caseiros e boa comida. Nós optamos por fazer o circuito Vale da Estação que descrevo em outra postagem já que antes percorremos o centro da sede do município começando na Rua João Baptista Wernersbach que oferece várias opções de entretenimento, alimentação e compras.

Seguimos para a Praça Arthur Gerhardt onde acontece a maioria dos eventos da cidade tem muitos canteiros bem cuidados, lago de peixe, miniatura de quitungo (fabricação artesanal de farinha de mandioca). Também ali está o monumento ao Colono Imigrante construído em 1954, pelo escultor europeu Carlo Crepaz, para homenagear os colonos alemães. Domina a praça a primeira igreja evangélica do país a ter uma torre. Na época da construção, em 1866, a Constituição Imperial brasileira proibia torres nas igrejas evangélicas, só permitindo nas católicas. Foi inaugurada em 20 de maio de 1866 e tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual.

Mas adiante encontramos a  Casa da Cultura de Domingos Martins  inaugurada em 17 de dezembro de 1983 é tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual desde 1986, abriga o Museu Histórico do município. Foi a primeira do Estado do Espírito Santo e ocupa uma edificação construída em 1915 pelo Sr. Augusto Schwambach para residência de sua família. Posteriormente foi instalada no imóvel a sede do Fórum e mais tarde a Loja Maçônica. A edificação foi doada ao município pelo Governo do Estado em 1981 e dois anos depois foi inaugurada pelo então prefeito Moacir da Silva Vargas como espaço cultural para a cidade.
A unidade conta com um acervo de fotografias, documentos, objetos e móveis que pertenceram aos imigrantes e descendentes de alemães, pomeranos e italianos que colonizaram o município. Além do museu, o espaço oferece sempre exposições de temas variados e atua como ponto de informações turísticas. Entre os objetos expostos no museu, alguns despertam grande curiosidade aos visitantes:uma vitrola de marca RCA Victor, com manivela, fabricada em 1904 e que está em perfeito funcionamento;uma xícara com proteção na borda para não sujar o bigode de quem a usasse. Esta proteção é em forma de bigode e é um dos objetos mais admirados do museu;o primeiro rádio da cidade, um aparelho da marca Phillips, fabricado em 1937 na Holanda. Na época da 2ª Guerra era por esse aparelho que os alemães e seus descendentes ouviam as notícias na padaria do proprietário, o senhor Waldemiro Hülle; vestido de noiva na cor preta, que era moda no início da colonização alemã; confessionário que pertenceu à Capela São Geraldo, em Campinho; forma em ferro fundido para fazer wafle. Na tampa está gravada a receita em alemão.

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