Agora costeando o Oceâno Atlântico que onde esta a maioria das cidades imperiais e também as planícies coloridas que vão até as praias estamos agora indo para a cidade de Tânger que fica no ponto de encontro do Oceano Atlântico e o Mediterrâneo, situada num belo anfiteatro de colinas dominando o Estreito de Gibraltar. Pela proximidade da Europa, é
cerca quatorze quilômetros tornou-se porta da Europa e da África.
A bela cidade tem encantos melancólicos das cidades portuárias. Diz a lenda que:"Veio das planícies nórdicas no bico de uma ave e foi largada em pleno voo no continente africano". Sua localização onde dois oceanos se fundem, é encruzilhada de mitos, culturas e religiões. Em Tanger cruzaram-se civilizações diversas ( Gregos, Fenícios e Romanos ) deixaram marcas na arquitetura. Outros ocupantes de Tânger foram os Portugueses (1471-1580; 1656-1662), os Espanhóis (1580-1656) e os Ingleses (1662-1684), antes da cidade ser reintegrada no Marrocos Árabe.Entre 1923 e 1956, a cidade foi colocada em regime de administração internacional. Tânger é a zona franca mais importante do Marrocos e a ponte de ligação da África com o continente europeu.
Tanger é uma interessante cidade que guarda uma especial atmosfera do passado com o seu bairro mais antigo, o "Kasbah", a Medina e o seu movimentado Socco, mercado público onde os naturais do Rif expõem os seus produtos, especiarias, plantas medicinais, artesanato.
Nossa visita a Tanger ficou restrita ao centro ou o Grande Socco que fica situado junto à cidade antiga dominada pelo seu Kasbah (cidadela), onde fica o Dar al Makhzen (o Palácio do Sultão), cujas salas foram transformadas num museu de arte marroquina, organizado por regiões. Contrastando com a agitação do Socco e do kasbah, estão os jardins da Mendoubia, verdadeiros oásis de paz.
Como nas demais cidades visitadas as ruas de Tanger também se assemelham a gigantescos depósitos de lixos e a todo momento vendedores ambulantes nos abordam para vender algo, querer explicar uma coisa que não se entende sendo a ser incovenientes.
O Museu de Antiguidades Marroquinas fica no Palácio Dar Shorfa. Na cidade antiga ergue-se ainda a Grande Mesquita, do século XVII, construída por Mulay Ismail (1672-1727), o governante que pacificou as tribos guerreiras de Marrocos e expulsou os ocupantes europeus.
De carro e bem próximo do centro fomos ao Cabo Espartel e é o limite em terra do estreito de Gibraltar e fica na costa marroquina. Dali se tem vista fantástica da junção do Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo onde um tem cor turquesa, o outro tonalidade mais escura. Existe um farol que fica num penhasco acima do mar onde logo o terreno desce dando lugar a uma bela planície provocando assim uma ilusão de que o cabo pareçe ilha quando visto de alguns pontos. Este local foi palco de famosos confrontos navais como a Batalha do Cabo Espartel em 20 de outubro de 1782, entre a esquadra franco-espanhola e a esquadra inglesa. E em 1936 ocorreu outra batalha ali durante a Guerra Civil Espanhola, também denominada Batalha do Cabo Espartel, quando foi quebrado o bloqueio republicano do Estreito de Gibraltar, assegurando o suprimento das forças nacionalistas no Marrocos Espanhol.
Existem muitas estradas em Marrocos e elas são usadas também por ciclistas, pessoas, carroças e tudo mais. Percebemos que a sinalização das rodovias estão em árabe e francês ainda bem que o código rodoviário é igual ao da maior parte da Europa todavia se cede passagem para a direita assim terminado o passeio em Tanger começamos o retorno a Ceuta outra vez por outra rodovia costeando o litoral do Atlântico.
Cruzamos o novo terminal do porto de Tânger que fica a quarenta quilômetros a leste da cidade defronte a Gibraltar. O governo espera concluir as instalações em 2012. O terminal tem cerca de 2,5 km de cais de atracação, está ligado por malha de quatrocentos quilômetros de vias férreas dirigidas a todo o país e por duas auto-estradas, uma para oeste que o liga a Tânger a Casablanca, e outra para leste a ligá-lo à Argélia.
Já anoitecia quando paramos outra vez na fronteira entre Marrocos e Ceuta. O guia Abudad desceu indo buscar os passaportes que estavam retidos na Polícia de Fronteira. Foi um grande alívio quando retornou e nos devolveu o documento.
Embora muitas surpresas, ansiedades, viajar para Marrocos conhecendo sua história , sua cultura foi um choque visual exótico, belo e inesquecível ainda mais quando descobrimos este país tão diferente de outras paisagens e outras formas de vida. Quem visitar Marrocos não encontrará luxos ou comodidades. O país oferece duas facetas diferentes já que um lado fica no Oceâneo Atlântico e outro do Mar Mediterrâneo assim se viajamos na costa ocidental ate parece um país europeu, só que mais sujo agora quando viajamos pelo interior onde está o povo berbere é que conhecemos a verdadeira essência embora tenha muita pobreza a beleza, o encanto cativa a todos.
Chegamos em Ceuta por volta das 21 horas e pegamos o Ferry e para Algeciras onde iríamos pernoitar.





