23 barracas abandonadas na Praia do Futuro
Várias barracas, na Praia do Futuro, estão
desativadas comercialmente e em total estado de abandono, gerando
insegurança. Algumas delas foram ocupadas e se tornaram moradia para
muitas famílias
A Praia do Futuro é cheia de contrastes. Em
meio às barracas imponentes, estão aquelas em total estado de abandono,
que têm abrigado problemas como insegurança e moradia risco. O POVO
percorreu toda a orla da Praia do Futuro, do Serviluz ao Caça e Pesca, e
identificou 23 barracas de praia abandonadas. Segundo levantamento da
Associação dos Empresários da Praia do Futuro, o número é ainda maior.
Das 154 barracas, mais de 40 estão desativadas comercialmente.
Algumas
dessas edificações já passaram por processo de demolição, mas os
escombros não foram removidos. Assim, segundo moradores do entorno, elas
se tornam, com frequência, ponto de fuga para assaltantes ou
esconderijo para usuários de drogas.Outras barracas já estão há tanto tempo abandonadas que se tornaram alvo de ocupação e hoje têm várias famílias morando num mesmo ponto. Alcion Anselmo, 33, que trabalha com manutenção de pranchas, afirma que muitas delas viraram ponto de consumo de drogas. “Boa parte dos assaltos que acontecem são ali na região das barracas abandonadas”, disse, citando áreas como Serviluz e Caça e Pesca, com maior número de barracas em ruínas.
Na opinião dele, as barracas foram desativadas e não conseguiram se manter por causa da insegurança e do descaso do poder público com a região. O comerciante Pedro Sarmento, 42, concorda. Ele tem uma barraca em funcionamento próximo a algumas das barracas desativadas. “Abandonaram a Praia do Futuro ‘antiga’ e aqui na área do Caça e Pesca. A barraca não tem condição de abrir por causa da insegurança. E as melhorias nunca chegam aqui”, lamenta.
Invasão
Na opinião da presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Fátima Queiroz, a remoção dessas barracas deveria ser imediata. “Isso independe da questão jurídica. Elas não funcionam mais comercialmente. Foram ‘invadidas’ porque estavam ao relento”, argumenta. Ela cita o caso de barracas loteadas em vários “puxadinhos” que são alugados. “Nós entendemos que não tem sentido as barracas ocuparem o espaço que ocupam hoje. Estamos falando de segurança, poluição visual, risco de saúde que essas famílias estão correndo, por não terem as condições adequadas para viver”, defende.
Segundo Fátima, a Associação vem propondo que essas barracas sejam retiradas da praia. “Essas famílias têm o direito de ter uma moradia”, reforça. O POVO procurou o gerente da Secretaria do Patrimônio da União, Clésio Jean Saraiva, na tarde de ontem para falar sobre os imóveis abandonados e ocupados, mas foi informado que ele não poderia atender porque participava de evento em alusão ao dia do funcionário público.
Cinco locais abandonados estão ocupados por moradores de rua
Varais cheios de roupas, crianças entrando e
saindo, papelões e plásticos delimitando a área de cada família. Das 23
barracas abandonadas, cinco foram ocupadas por famílias que aproveitaram
as estruturas e estão morando na faixa de praia. Um morador do
Serviluz, que não quis se identificar, afirma que as barracas foram
abandonadas e por isso se tornaram alvo de ocupação.
Ele cita que algumas dessas famílias enfrentam problemas como uso e dependência de drogas, o que leva os usuários a praticarem assaltos. Proprietária de uma barraca desativada, Maria de Lourdes Sobrinho, 30, fez da construção sua morada. Viúva, ela mora com a mãe. Quanto à decisão judicial que pede a remoção de todos os empreendimentos que estão na orla, ela afirma apenas que “está na mão do advogado. Tô aqui e seja o que Deus quiser”.
Na casa dela não tem água tratada, nem luz, somente uma bomba de onde ela tira a água que consome. Assim, não tem como arrumar outro local para morar. Para ela, as barracas abandonadas geram muitos riscos. “Tem coisa de marginal. Quase todas as barracas foram ocupadas, tem gente morando”.
A Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), informa que oficiará a Defesa Civil do Município para verificar a situação. “As ocupações das barracas de praia estão em situação de risco por inadequação para moradia”, informou Daniel Rodrigues, coordenador de planejamento estratégico da Habitafor. Só em seguida a Fundação decidirá qual procedimento é mais adequado para a situação.



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