Neve

sábado, 23 de julho de 2011

Espírito Santo - Vitória - Galpão das Paneleiras


Ainda na região de Goiabeiras fomos visitar o Galpão das Paneleiras que segundo afirmam é um dos principais símbolos da cultura e identidade capixaba. 
No galpão há mulheres que produzem e comercializam suas próprias  panelas, potes, travessas, bules, caldeirões, frigideiras etc, de diversas formas e tamanhos do barro retirado do barreiro na jazida do Vale do Mulembá no bairro Joana DÁrc pavilhão. A produção de panelas de barro é um artesanato de origem indígena com mais de 400 anos e utilizada para preparar a moqueca capixaba.
As  Paneleiras de Goiabeiras como são chamadas as artesãs que residem no bairro de Goiabeiras e antes trabalhavam individualmente em suas próprias casas. Hoje estão agrupadas na  Associação das Paneleiras de Goiabeiras, uma espécie de cooperativa.
Aprendemos um pouco do processo de fabricação que é praticamente o mesmo que os índios usavam e cujos  ensinamentos foram transmitidos de pais para filhos. Começa com a extração da argila, limpeza e escolha, que consiste na retirada de impurezas, como pedras e restos de vegetais. Em seguida, devidamente envolta em plástico para manter a umidade, fica armazenada, descansando, por uns tempos antes de ser usada.    Esta pesada tarefa, que antes era feita pelas mulheres, é atualmente mais realizada pelos homens, que o fazem amassando o barro com os pés, pisando repetidas vezes, até torná-lo uniforme, consistente e com a plasticidade adequada.   A modelagem das panelas é feita manualmente, sem o uso do torno de oleiro. A parede vai sendo levantada, com a forma desejada, usando-se a técnica de roletes ou diretamente, escavando a "bola" de argila, "puxando a panela", como dizem, através de movimentos com as mãos, tanto circulares como verticais, abaulando, arredondando, definindo o formato da peça com a ajuda de rudimentares ferramentas-pedras lisas, cascas de coco, coité (pedaço de cabaça), e objetos similares. Após a modelagem as panelas passam pela primeira secagem para o barro enxugar. Depois segue a raspagem onde as artesã com ajuda de uma faca, de uma pedra e de um arco retiram as impureza que ainda ficaram no barro  e arredondam o fundo da panela. A outra fase é o açoite (pintura)  que é feito com a chamada vassourinha de muxinga, arbusto natural do local. Mergulha-se a vassoura em tita de tanino produto obtido de uma árvore do mangue-vermelho-"rhizophora mangle" cuja casca é retirada do tronco batendo-se fortemente com um porrete de madeira. As lascas  obtidas são picadas e colocadas de molho, em água doce, para curtir por  três dias, no mínimo. O tanino penetra nos poros da cerâmica, cobrindo fissuras e tornando-a impermeável, servindo também para impedir a proliferação de fungos, que, com o correr do tempo, esfarelam o barro.      Observe-se que a coloração escura da panela permite uma melhor concentração do calor, facilitando o cozimento e a conservação dos alimentos.      As panelas, depois de modeladas, ficam em lugar ventilado e protegido do sol até secarem completamente. Só após é efetuada a queima, não em forno, mas em fogueiras a céu aberto. (método bastante primitivo adotado por tribos indígenas).      O processo consiste em empilhar as panelas sobre grossas toras de madeiras, formando o que chamam de "cama", para permitir, deste modo, a circulação do ar pela parte inferior. Nas laterais e em cima, são colocados pedaços menores de madeira. O fogo é ateado em uma das extremidades, na "cabeceira da cama", que com a ajuda da ventilação natural se expande por todo o conjunto. Dependendo do número de peças, o cozimento pode  durar uma ou muito mais horas. Para fazer o fogo usam-se restos de madeiras, principalmente da construção civil. Apesar deste tipo de madeira nem sempre  possuir o melhor poder calorífico, o resultado final é satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário.

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