No final da tarde deixamos o carro estacionado no porto e embarcamos no ferry-boat onde iríamos pernoitar na cidade de Ceuta iniciando assim a travessia para África que nesta área leva cerca de 1 hora.
Ceuta fica na fronteira do Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico na na costa norte da África do Norte rodeada por Marrocos. Celta e Melilla são os últimos vestígios do domínio espanhol no norte de Marrocos, que terminou em 1956 são um enclave e únicos territórios espanhóis situados no continente da África onde são separados da Península Ibérica pelo Estreito de Gibraltar. Eles têm sido territórios europeus por mais de 500 anos, e Madrid insiste que não vai abrir mão do controle de qualquer um.Juntos, eles ocupam 32 quilômetros quadrados, e são o lar de cerca de 120.000 residentes, principalmente espanhóis.A língua oficial de Celta é espanhol e sua população é composta de cristãos , muçulmanos sobretudo árabe marroquino e pequenas minorias de judeus e hindu. Sua moeda é o euro. Devido à sua localização estratégica, Ceuta conheceu uma história de conquistas militares e ocupação, que começou com os Cartagineses no século V a.C., os quais foram seguidos pelos Romanos, Vândalos, Visigodos espanhóis e Bizantinos sendo assim redutos militares, portos livres , portos de petróleo, e também centros de pesca e contrabando. Sob domínio árabe e berbere, Ceuta foi também utilizada como plataforma para invadir a Espanha, em 711, e em 1415, foi tomada pelos Portugueses sob pretexto de promoverem o Cristianismo e minarem a influência muçulmana na zona. A cidade foi reconhecida como possessão portuguesa pelo Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo Tratado de Tordesilhas (1494).No contexto da Dinastia Filipina, Ceuta manteve a administração portuguesa, tal como Tânger e Mazagão. Todavia, quando da Restauração Portuguesa em 1640 não aclamou o Duque de Bragança como rei de Portugal, ficando sob domínio espanhol. A situação foi oficializada em 1668 com o Tratado de Lisboa, assinado entre os dois países e que pôs fim à guerra da Restauração, no entanto, a cidade decidiu manter a sua bandeira que é composta por gomos brancos e pretos, à semelhança da da cidade de Lisboa, ostentando ao centro o escudo real da época.
Como a cidade é pequena com superfície total de 23 quilômetros quadrados logo que chegamos percorremos a pé toda a área central com uma boa área comercial e onde está o Parque Marítimo do Mediterrâneo perto do mar com belos jardins, lagos de água salgada, quedas de água, fontes e zonas de recreio rodeadas de palmeiras.
A cidade fica situada na ponta de um estreito istmo e é dominada por sete montes, incluindo o Monte Hacho, que, segundo a lenda, seria um dos dois Pilares de Hércules. Uma das principais atrações de Ceuta é o conjunto monumental das Muralhas Reais, situado na parte mais estreita do istmo que liga a cidade ao continente africano e erguido entre os séculos XVI e XVIII. O enclave fortificado é dividido a meio por um fosso navegável que une o Atlântico ao Mediterrâneo.
Em seus edifícios guarda vestígios da ocupação portuguesa. Ainda existem ruínas das fortificações que compunham a Praça-forte; das antigas muralhas, do fosso e de um baluarte sobre a praia. Conhecemos as antigas igrejas de Nossa Senhora da Assunção hoje mesquita,a igreja de Santa Maria de África, a igreja do Espírito Santo, a igreja de São Sebastião, a igreja de Santo Antônio e onde está o edifício do antigo Convento de Nossa Senhora do Socorro
De interesse histórico também são as Muralhas Merínidas construídas pelos emires da dinastia merínida entre 1307 e 1310 e que incluem as torres gemeas que marcam a monumental Porta de Fez, a Catedral originalmente erguida pelos portugueses e reconstruída no século XVII, o Castelo do Desnarigado uma fortaleza dos séculos X ao XVI e as ruínas dos Banhos Árabes, do século XIII.

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