Neve

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Maranhão - São Luis

A Lagoa da Jansen está localizada entre a Praia da Ponta d'Areia e o Bairro São Francisco espremido entre o mar e a área urbana. Recebeu esse nome em homenagem à mais famosa matriarca de São Luís.

O Parque ecológico em torno da lagoa mantém uma variedade incrível de espécies da fauna e da flora da mata nativa . Tem seis mil metros quadrados de área com restaurantes quadras poliesportivas, ciclovias, pistas para Cooper.  Do mirante da Lagoa se tem uma abrangente visão de parte da cidade de São Luís.

Extraido da fonte http://agenciadeviagem.blogspot.com/2009/02/lendas-maranhenses.html

Conta a lenda mais popular de São Luís que Ana Jansen, mulher rica, poderosa e, segundo alguns, muito malvada com seus escravos, teria sido condenada a pagar seus pecados vagando eternamente pelas ruas da cidade numa carruagem encantada. O coche maldito parte do cemitério do Gavião, em noites de quinta pra sexta-feira, e ai de quem encontrá-lo pelo caminho. Ao incauto, Ana Jansen oferece uma vela acesa que, na manhã seguinte, estará transformada em osso de defunto. Um escravo sem cabeça conduz a carruagem, puxada por cavalos também decapitados.

Esta lenda corresponde a severa pena que o inconsciente coletivo aplicou à memória de Dona Ana Jansen, poderosa e discutida matrona maranhense, de marcante presença na vida econômica, social e política da São Luís do século XIX.
Senhora de grande fortuna pessoal, dizem que maltratava até a desumanidade seus numerosos escravos. A lenda do pervagar penado de Donana pelas ruas da Cidade, às noites de sextas-feiras (há uma variante que dá essa sinistra aparição como ocorrendo às quintas-feiras), teve larga difusão na primeira metade deste século, quando eram comuns as ruas mal iluminadas ou completamente às escuras, pelos constantes cortes de energia elétrica, e também por causa dos desmandos policialescos da ditadura estadonovista, que traziam medos e maus presságios às noites de São Luís.

Reza a tradição que os notívagos da Cidade, ao pressentirem a aproximação do horrendo coche, fugiam aterrorizados, à procura de um lugar em que podessem abrigar-se com segurança. Se assim não fizessem, estariam sujeito a receber da alma penada de Dona Ana Jansen ou Donana, como popularmente chamada, uma vela acesa que amanheceria transformada em osso de defunto.

A carruagem, puxadas por cavalos decapitados e tendo na função de cocheiro um escravo igualmente decapitado e com o corpo sangrando de monstruosa sevícias, produz, por onde passa, horripilantes sons, combinação do atrito de velhas e gastas ferragens com o coro de lamentações de escravos em estertor.

A lenda da carruagem de Dona Ana Jansen, pavor, principalmente, dos meninos são-luisenses de outrora, deu às belas noites enluaradas da Cidade a contraface tétrica de negros em agonia e cavalos pavorosos que, ao toque de seus cascos no calçamento das ruas, arrancavam faíscas de fogo, nesse longo e aterrorizante suplício de Donana.

Inimigo de Donana Jansen, com quem vivia às turras, o Comendador Meireles tinha mandado preparar na Inglaterra, para vendê-los quase de graça, um milheiro de belos penicos de louça, com a cara da velha no fundo do vaso. Donana Jansen soube do fato e suportou com paciência o riso da cidade. Não reagiu logo: deu tempo ao tempo, enquanto ia mandando comprar, aos dois, aos três, às dezenas, na loja do Comendador, os penicos com seu retrato, até ter a certeza de que, agora, sim, só ela os possuía.
Apenas por perguntar, mal contendo o frouxo de riso, Damião perguntou a um dos negros:
- De quem vocês são escravos?
- De Donana Jansen
Um cheiro insuportável de mijo podre desprendia-se de um vaso à parte, por sinal que maior que os outros, quase o triplo, e coberto com uma tampa também de louça.
- E esse aí? – quis saber Damião.
- Minha sinhá deu ordem pra despejar o mijo dele na cabeça do Comendador, se ele aparecer pra tomar satisfação.
E sem interromper as pancadas seguras, o negro abriu para Damião a dentadura farta, que lhe encheu a boca feliz, rematando com este comentário, entre um penico e outro:
- Donana Jansen não é gente. Tou cansado de dizer. Quem se mete com ela tem sarna muita pra se coçar. Ora se tem!
(Josué Montello – Trecho: Os Tambores de São Luís - Capítulo 1)
 
Parece lenda, ficção de escritor, mas Donana existiu e aterrorizou muita gente com sua implacável autoridade de latifundiária. Nascida Ana Joaquina Jansen Pereira, era neta de um comerciante holandês falido, e escandalizou a sociedade maranhense do século XIX, tornando-se amante de um coronel rico e casado, e ainda por cima, sendo mãe solteira.
 
Tudo teria sido mais um caso para mexericos na cidade não tivesse a esposa do militar falecido e ele se casado com Ana. Ela, por sua vez, possuidora de um tino comercial notável e de causar inveja, multiplicou a fortuna do marido. Ana teve com o coronel seis filhos. Com a morte do coronel, Ana, então com 38 anos, transformou-se na poderosa “Donana, a rainha do Maranhão”. Firmou-se como uma das maiores produtoras de algodão e cana-de-açúcar do Império, além de possuir o maior contingente de negros do Estado.
 
Conta-se que ela fazia-os distribuírem água pela cidade, cobrando, quando já existiam métodos mais eficazes para esse serviço. Ao tentarem implantar um sistema para as águas, Donana tantas fez que levou a empresa à falência. Política habilidosa, costurava acordos nos bastidores, e chegou a financiar os exércitos do duque de Caxias durante a Balaiada, revolta que ocorreu no Maranhão. Viveu com outro homem com quem teve quatro filhos. Casou-se novamente aos 60 anos com um rico comerciante paraense. Morreu em 1869 aos 82 anos.

Era voz corrente, então, que DonAna Jansen – como era comumente chamada – cometia as mais bárbaras atrocidades contra seus numerosos escravos, os quais, submetia a toda sorte de suplícios e torturas em sessões que, não raro, terminavam com a morte.
 
Alguns anos após o falecimento de Donana passou a ser contada na cidade, a lenda, segundo a qual, nas noites escuras das sextas-feiras, boêmios e noctívagos costumam deparar com uma assombrosa e apavorante carruagem, em desenfreada correria pelas ruas de São Luís, puxada por muitas parelhas de cavalos brancos sem cabeças, guiados por uma caveira de escravo, também decapitada, conduzindo o fantasma da falecida senhora, penando, sem perdão, pelos pecados e atrocidades, em vida, cometidos.


Terminamos o dia com um tour pelas depedências do Pestana Hotel. 



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