Neve

domingo, 19 de outubro de 2008

Recife (PE) - City Tour

Para conhecer o centro histórico de Recife decidimos fazer um City tour diferente. O Guia de turismo nos apresentou seis opções de roteiros a pé. Cedinho começamos com o Guia caminhando na Praça do marco Zero cujo nome correto e Praça Barão do Rio Branco, que desde1938 indica o quilômetro zero e assim ficou conhecida. Tem a forma circular e no centro um painel com “A rosa dos Ventos” de Cícero Dias. Ao fundo se vê o Monumento de Brennand. A praça é o local onde começou a cidade do Recife. À sua frente encontra-se a Bolsa de Valores . O Guia pediu para olharmos em direção as ruas e, esclareceu que acabam ali cinco ruas (igual os dedos da mão) e estas cruzam cinco pontes. Recife e constituída por cinco ilhas e, sem pontes nada ocorreria. Ali também esta o Porto e atravessando o rio de barco encontramos as o parque das esculturas e o porto. Esta área tem sido restituída a população com implantação de agitação noturna com bares e restaurantes, cultural, e espaços de lazer. Todo o domingo a tarde tem a feira de artesanatos e exibição de danças e musicas nativa.
Caminhamos ate a Rua do Bom Jesus do qual nome foi dado em decorrência do arco de mesmo nome que existia no final da via. No século 17 já foi chamada de Rua dos Judeus. Escavações nos anos 1990 acabaram por descobrir o local onde foi erguida a primeira sinagoga das Américas. Hoje funciona o Centro Cultural Judaico de Pernambuco. Pode se visitar o local e o ingresso e de R$ 2,00; R$ 1,00 (estudante)
Um pouco a frente entre a Avenida Alfredo Lisboa e Rua Barão Rodrigues Mendes, encontramos um Museu a Céu aberto, seu acervo inclui o conjunto de estruturas e objetos arqueológicos formado por trecho de muralha em pedra, datada do período holandês e parte das bases do arco do bom Jesus e parte do dique de contenção do mar, em pedra, do século 19.
Logo atrás na Praça do Arsenal da Marinha esta a Torre Malakoff que foi construído no período de 1853 a 1855, erguida para abrigar um observatório astronômico. O nome foi uma homenagem a resistência dos russos em Sebastopol durante as Guerras da Criméia. Tem seis andares é tombado pelo Patrimônio Histórico: Além de observatório está em projeto sua transformação em Centro de Manifestação Culturais de Pernambuco.
Um pouco além está o Teatro Apolo, inaugurado em 1842, tem fachada em mármore de Lisboa e integra o Centro Cultural Apolo Hermilo.
Descendo em direção ao Paço da Alfândega encontramos a Igreja da Madre de Deus construída em 1679 para os Padres Oratorianos da congregação de S. Filipe. Na fachada foi utilizado arenito dos arrecifes. No interior tem um conjunto de cantaria, talha e imaginária, além de preciosas imagens de outras igrejas desaparecidas. Também ali esta o Paço da Alfândega, que foi construído em 1720 ao lado da Igreja para abrigar o Convento dos Padres da Ordem de São Felipe Néri. Em 1826 abrigou a Alfândega de Pernambuco, tendo o prédio passado por várias adaptações, entre elas a construção da Rua da Alfândega que hoje separa o prédio da igreja.Em 1922 sofreu um incêndio tendo em 1932 sido transferido para a Santa Casa de Misericórdia que o alugou para diversos inquilinos, entre eles usineiros de açúcar, que adaptaram a edificação para utilizá-la como armazém. Nos últimos anos, totalmente degradado, o espaço era um estacionamento. Hoje abriga um importante centro de compras com 82 lojas distribuídas nos seus quatro pisos.
Para aproveitar o tempo de taxi fomos até o bairro de Santo Antônio onde esta o espaço cívico e coração de Recife
Praça da República. Está onde Maurício de Nassau, governador do Brasil holandês ergueu em 1642 o seu Palácio de Friburgo e o primeiro horto zoobotânico do Brasil. O Palácio foi demolido em 1769. Depois de várias designações e, da queda do império passou a se chamar Praça da Republica. Foi o antigo campo de honra da Província, onde foram enforcados os líderes da Revolução Pernambucana de 1817. Nela, situam-se o Palácio do Campo das Princesas - residência do governador do estado - construído em 1841, no local onde existiu o Palácio de Friburgo, construído por Maurício de Nassau; o Teatro Santa Isabel (construído em 1850, denominado em homenagem à Princesa Isabel), o Palácio da Justiça e o Liceu de Artes e Ofícios. Uma graciosa fonte, palmeiras centenárias e baobás completam o ambiente deste belo conjunto urbanístico.
Palácio do Governo: Construído entre 1841 a 1844 na gestão do governador Francisco do Rego Barros, o Conde de Boa vista. Em 1859 sofreu uma reforma para hospedar o imperador Dom Pedro II, a imperatriz Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias e suas filhas, ocasião em que recebeu o nome de Campo das Princesas, inicialmente dado ao jardim onde as princesas brincavam, depois se estendendo a denominação ao Palácio
Teatro de Santa Isabel: Foi projeto do engenheiro francês Loius Leger Vauthier em 1841 e concluído em 1850. Houve um incêndio em 1869 e reconstruído em 1876 pelo engenheiro José Tibúrcio Pereira de Magalhães mesmo que projetou o Liceu de Artes de Ofícios que foi inaugurado em 1880 para a Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco.
Palácio da Justiça: Projeto do italiano Giácomo Palumbo, inaugurado em 1930. A escada principal é de mármore e ao fundo trabalhos em três vitrais de Heinrich Moses representando a primeira Assembléia de Escabinos realizada no Brasil por Maurício de Nassau.

Secretaria da Fazenda: este prédio representa um marco da arquitetura moderna no qual sobressai o uso da estrutura de concreto armado. No principal hall do prédio , no mezanino e no auditório encontram-se painéis de Cícero dias.
Convento Franciscano de Santo Antônio e Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco do Recife. Construída entre 1606 ate 1613 pelos frades da ordem Franciscana, hoje a mais antiga de Santo Antônio. Com a ocupação holandesa em Pernambuco em 1630 o convento foi adaptado pelos flamengos para uso militar até 1654 recebendo o nome de Forte Ernesto. Entre 1710-1770 foi reformado ganhando estilo barroco. No convento estão as igrejas de Santo Antônio e de São Francisco, o Museu Franciscano de Arte Sacra e a Capela Dourada assim chamada pela predominância das pinturas em ouro.

Gabinete Português de Leitura: Fundada em 1850 sua sede foi construída em 1912. Houve incêndios e restaurações. Abriga uma rara e diversificada biblioteca aberta ao público e rico mobiliário em madeira.

Arquivo Público Estadual. Foi erguido entre os anos de 1729 e 1732 para servir de câmara e cadeia. A câmara funcionava no segundo andar. No térreo ficavam as celas dos presos. Em 1824 a câmara foi transferida e, a cadeira permaneceu até 1855 quando o edifício passou a ser usado como tribunal da Relação do Júri. A partir de 1975 acolhe o arquivo público estadual.

Praça 1817 – Fonte da Companhia do Beberibe: Conhecida como 17 teve vários nomes, como Pátio do Colégio, Passeio Público,Praça Pedro II. O nome atual é em homenagem a Revolução de 1817, rebelião libertária pernambucana. Na praça encontram-se uma fonte de água de 1846 em mármore italiano, encimada por estátua de uma índia, simbolizando o Brasil e, um monumento em referência aos aviadores portugueses Sacadura Cabral e Gago Coutinho que em 1922 fizeram a primeira atravessia do Atlântico Sul.

Igreja do Divino Espírito Santo. Neste local já existiu em 1642 um templo calvinista. Depois da Restauração Pernambucana-1654 foram construídos no local o Colégio e a igreja de Nossa Senhora do Ó da Companhia de Jesus. Com a expulsão dos jesuítas 1759 funcionou no colégio o palácio dos governadores. A igreja foi restaurada em 1855.


Cruzamos a Ponte Princesa Isabel para o bairro de Santo Amaro para conhecer o Ginásio Pernambucano, que teve sua pedra fundamental colocada em 1855 e foi inaugurado em 1866. Estabelecimento pioneiro em ensino público. Mobiliário do século 19 e ali também está o Museu de História Natural. Na mesma direção fomos na Assembléia Legislativa o edifício possui cúpula semi-esférica revestida de metal e rasgada por doze aberturas que permitem a entrada de luz solar. O prédio é em formato de cruz latina. Agora cruzamos a Ponte da Boa Vista para o bairro são José para visitar a Praça Joaquim Nabuco, antiga Praça da Concórdia. Na praça encontramos o monumento de Joaquim Nabuco em homenagem ao abolicionista, diplomata e escritor. Seguimos para a Casa da Cultura ex-casa de detenção da cidade, reformada para se transformar em um centro cultural na década de 70. Os presos olhavam o Capibaribe e nem imaginavam que dali a 150 anos suas celas, transformadas em lojinhas, seriam vasculhadas pelos turistas. Painéis de Cícero Dias contam a vida de frei Caneca
Continuando atingimos a Estação Central Ferroviária. Foi inaugurada em 1890 para ser a estrada de Ferro central de Pernambuco. Foi arrendada no século 20 para a companhia Great Western of Brazil Railway transformando-se na sede do sistema ferroviário de quatro estados do nordeste. Os trens já não apitam na curva, mas a estação reúne no Museu do Trem fotos, locomotivas e peças desses tempos românticos com entrada franca e, também é usada como estação do Metrô.

Retornamos ao Bairro Boa Vista pela Ponte Velha 6 de Março visitamos o Mercado Boa Vista construído em 1823 conhecido como Ribeira da Boa Vista. Sua estrutura pioneira de ferro pré-fabricada na França, inaugurada em 1875, tem de tudo. Do lado de fora, cajus, pinhas e outras deliciosas frutas regionais. Aos sábados a tarde é ponto de encontro de intelectuais, poetas, músicos e carnavalescos.

Seguimos para a Igreja e Pátio da Santa Cruz foi matriz da Boa Vista até 1793, e o pátio em frente à igreja era comum nos templos do século 18 e servia para atividades religiosas. Passamos pela casa de Clarice Lispector que fica na esquina da Travessa do veras com a Praça Maciel Pinheiro. Continuando visitamos a Matriz da Boa Vista da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Tem fachada em pedra de lioz portuguesa. Na rua detrás visitamos o Teatro do Parque cujo edifício mistura ferro e alvenaria na sua arquitetura. Tem uma estrutura metálica francesa na platéia e nos camarotes. O auditório é em forma de ferradura e as paredes têm pinturas de Mário Nunes e Henrique Elliot. Mas a frente esta a Praça Maciel Pinheiro e o Instituto Arqueológico, histórico e Geográfico de Pernambuco.

Fizemos uma pausa para almoço e às 15 horas retornamos aos passeios. Agora indo de Taxi para o Forte das Cinco Pontas e o Museu da Cidade foi construído pelos holandeses em 1630, é o símbolo da resistência holandesa. A fortaleza foi totalmente destruída em 1677 e restaurada por Fernandes Vieira, dessa vez, com apenas quatro pontas. Foi utilizada como prisão por muito tempo, tendo, inclusive, como prisioneiro ilustre Graciliano Ramos. O local também funciona como Centro Turístico e abriga o Museu que funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados e domingos, das 13h às 17h. Entrada: R$ 1,00 e o Teatro do Forte.

Seguimos para Basílica de Nossa Senhora da Penha pertence à Ordem dos Capuchinhos. Construída com inspiração no modelo de Santa Maria Maior, em Roma, obedece ao estilo coríntio com a configuração de uma cruz latina. Contém três naves com um zimbório, cuja clarabóia filtra uma luz suave que impregna o templo de uma ambiência mística. Na parte posterior, erguem-se duas esbeltas e elegantes torres octogonais Nesta igreja estão sepultados os restos mortais do poeta Gregório de Matos e de D. Vital, cujo corpo foi trasladado de Paris. Pela rua ao lado do Convento da Penha, chegam-se-se ao Pátio de São José do Ribamar, dominado por sua singular igreja construída pelos artífices do Recife, marceneiros, pedreiros, carpinteiros e tanoeiros, entre 1752 e 1778, em terreno sujeito à invasão das águas das marés altas de agosto. A construção da igrejinha em pedra e cal só foi permitida pelo bispo de Olinda, em 6 de junho de 1752, na condição de ser o seu piso interior levantado pelo menos cinco degraus acima do leito da rua. Agora estamos na Praça do Mercado (hoje D. Vital), com o secular Mercado Público de São José, construído no centro da antiga praça onde outrora existiram os velhos terreiros da Ribeira de São José. Todo de ferro é o único mercado do mundo que recorda o Mercado Central de Paris, já demolido, no qual se inspirou o seu arquiteto. Sua inauguração data de setembro de 1875. Foi o Barão de Lucena, quando Presidente da Província, que autorizou a sua construção. Nele, grande parte da população do Recife se abastece de carnes, peixes, crustáceos, cereais, frutas, legumes e hortaliças.

Prosseguindo voltamos ao bairro de São Jose para conhecer a Concatedral de São Pedro dos Clérigos construída em 1782, sua fachada reproduz o Santuário de Santa Maria Maior de Roma. As armas de São Pedro e as imagens dos doze Apóstolos de Cristo e dos quatro Evangelistas estão entalhadas no teto da igreja, todo em madeira. Fica no largo Pátio de São Pedro. Possuí uma bonita vista, sem contar os inúmeros bares e lojas de artesanato que tem por ali.
No Pátio de São Pedro é área defronte à Concatedral, mantém em seu entorno um belo conjunto de 29 casas baixas coloniais, com um ou dois pavimentos. Tem um calçamento de pedras irregulares do século XIX e um gradil de ferro que delimita o átrio da igreja, cujo piso é de ladrilhos de barro. Este conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional .Tem numerosos Restaurantes, Bistrôs e Bares.
Caminhamos para a Praça do Carmo que fica perante a Basílica e do Convento de Nossa Senhora do Carmo Foi construída em 1687 e possui traços barrocos. No altar dourado, a imagem da padroeira Nossa Senhora do Carmo, em tamanho natural, se destaca. O altar principal abriga valiosas coroas de ouro e pedras preciosas. Foi neste convento que Frei Caneca ordenou-se sacerdote.
A Igreja de Nossa Senhora do Terço fica no Pátio do terço do bairro são José. Foi construída, no ano de 1726, foi erguida onde antes havia apenas um nicho com a imagem de Nossa Senhora, no qual as pessoas costumavam rezar o terço. Na frente da Igreja, Frei Caneca foi esquartejado e teve suas vestes enterradas. Toda segunda-feira de Carnaval, os negros mortos nos tempos de escravidão são homenageados pelos maracatus: é a Noite dos Tambores Silenciosos, que acontece sempre à meia-noite, apenas ao toque de um surdo.

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