Neve

domingo, 5 de outubro de 2008

Alagoas - Delta do São Francisco

Às 7 horas a Maceió Turismo nos pegou no hotel para levar ao Delta do Rio São Francisco. É uma data especial. O velho Chico completa 507 anos da sua descoberta. Sim!!!! Era seu aniversário. Foi no dia 4 de Outubro de 1501 que Ele foi encontrado pela expedição do genovês Américo Vespúcio quando descia à costa brasileira.


O barco de passeio partia da cidade de Piaçabuçu e, já conhecíamos parte deste trajeto, mesmo assim, foi fascinante, percorremos os 138 quilômetros de estrada que margeia enormes plantações de coqueiral e cana de açúcar e, contígua as mais lindas praias do litoral sul. Observamos a colheita da cana-de-açúcar. Paramos outra vez, no mirante que enche nossos olhos de beleza com as imagens mais belas que já vi da Praia do Francês, da Barra de São Miguel e da enseada do Gunga.

O deslocamento leva duas horas contudo passa rápido. Chegamos na cidade de Piaçabuçu e, em seguida começamos a excursão já que a cidade não tem infra-estrutura turística e serve apenas como ancoradouro. Antes de partir vimos inúmeras lavadeiras nas escadarias do rio esfregando e enxaguando suas roupas nas águas do rio, isso se tornou tradição do local.

O passeio dura em média 2 horas e meia. O barco de dois andares mede uns 25 metros tem um bar improvisado onde servem apenas bebidas. Além da tripulação segue um Guia local, que é estudante de turismo e, no percurso narra com tanta paixão, lendas, tradições, história e detalhes do passado e presente, misturando realidade e fantasia do rio São Francisco.

É uma overdose de prazer. Inexplicavelmente o barco ocupado por 50 pessoas, fica em silêncio. Todos se emudecem e seus olhos fixos e bocas entreabertas apreciam a paisagem paradisíaca.

No percurso até o Delta contemplamos a variedade de plantas e arbustos que margeiam o rio. É um cenário de morros, mangues, coqueirais, roças, inúmeros barquinhos quadrados de velas típicas da região. Em suas 13 ilhas, muitas usadas para o plantio, quase não se vê pessoas. Conta o Guia que nas ilhas moram apenas o empregado e sua família que cuida das plantações. Navegamos por um espaço estreito do rio e, a seguir no canal principal rumo ao oceano. Ao final víamos as dunas do Pontal do Peba e, é aqui que se dá o encontro do rio São Francisco com o Oceano Atlântico e, juntos formam um inesquecível espetáculo da natureza enchendo os olhos de emoção.
Depois deste espetáculo descemos e caminhamos pelos vastos e enormes bancos de areia que sempre se deslocam mudando a paisagem em cada visita.

Por fim, mergulhamos na piscina natural formada entre dunas no exato local onde o rio encontra o mar.

No lado de Sergipe enxergamos a torre de um antigo farol, única coisa que restou do povoado que foi engolido pelo Atlântico.

Na orla inúmeras ambulantes vendiam cocadas de diversos sabores tais como: goiaba; leite condensado; manga;abacaxi, etc. todas saborosas.

O guia nos mostrou a ilha com o povoado perdido do Pixaim habitada por uma pequena comunidade de negros, semi-reclusa e, nos disse que a visita de estranhos não é bem-vinda, que se trata de um antigo quilombo, descendentes de escravos fugitivos dos navios negreiros que encalharam no rio. Hoje existem 42 casas de palha e taipa; dessas, 22 ainda são habitadas. A população não chega a 100 pessoas, sendo mais de 70% da mesma família que se casam entre si e, não convivem com ninguém de fora da sua comunidade sendo a rotina preguiçosa e sossegada.

Mostrou também o Guia a Ilha Criminosa. Disse que a lenda dali é que residia um casal onde o marido pescava e vendia os peixes no povoado.Gastava todo o dinheiro bom bebida alcoólico e voltava embriagado e batia na esposa. Ela não agüentou e um dia matou o marido.

Regressamos às 14 horas e excelente almoço com frutos do mar nos aguardava no restaurante da única pousada de Piaçabuçu.
Depois percorremos o artesanato local e o modesto lugarejo que serviu de palco para duas produções os filmes:
- Deus é brasileiro (2003) enredo do filme: - Cansado de tantos erros cometidos pela humanidade, Deus (Antônio Fagundes) resolve tirar umas férias dela, decidindo ir descansar em alguma estrela distante. Para tanto precisa encontrar um substituto para ficar em seu lugar enquanto estiver fora. Deus resolve então procurá-lo no Brasil, país tão religioso que ainda não tem um santo seu reconhecido oficialmente. Seu guia em sua busca é Taoca (Wagner Moura), um esperto pescador que vê em seu encontro com Deus sua grande chance de se livrar dos problemas pessoais. Juntos eles rodarão o Brasil em busca do substituto ideal
- Espelho D'Água Uma Viagem No Rio São Francisco (2004) http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/espelho-dagua/espelho-dagua.asp Enredo do filme: Celeste, uma jovem carioca, parte para o São Francisco para encontrar o fotógrafo Henrique, seu namorado. Mas chegando lá, ela descobre que Henrique saíra de barco pelo rio e está desaparecido. Celeste decide percorrer o rio à sua procura. É nessa busca que ela encontra Abel, um remeiro aposentado que passou a vida nas águas do São Francisco, e afirma que tudo o que sabe sobre aquele lugar lhe foi ensinado por sua velha canoa, que o faz sonhar e lhe contar histórias. Durante a procura de Henrique ao lado do remeiro, celeste mergulha fundo na cultura do rio São Francisco e descobre um mundo repleto de histórias, lendas, milagres, superstições e crendices. Entre encontros e desencontros, o espectador transita com os personagens por tradições seculares que estão desaparecendo, dentro de um universo que esconde riquezas.

Cada dia mais brasileiros e estrangeiros seduzidos pelo encanto e história percorre o trecho final (Alagoas, Sergipe e Bahia) de sua extensa trajetória de 2.700 km quilômetros banhando os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Sua Bacia hidrográfica também envolve parte do Estado de Goiás e o Distrito Federal.

O Velho Chico, como é afetuosamente chamado é o terceiro maior rio do país e conta que, quem bebe da suas águas não esquecerá e sempre voltará. Existem duas formas de viver isso: uma é compartilhando-o com os que já conhecem e outra é apresentando-o ao maior número de pessoas para que também passem a conhecer a profunda, peculiar e vasta cultura desse lugar.

O São Francisco chamado também de Rio da integração nacional, ligando o Sudeste, o Centro-Oeste e o Nordeste. Recebe água de 168 afluentes, dos quais 99 são perenes, 90 estão na sua margem direita e 78 na esquerda. A produção de água de sua Bacia concentra-se nos cerrados do Brasil Central e em Minas Gerais. A barragem de Sobradinho que garante a regularidade de vazão do São Francisco e, é citada como o pulmão do rio, foi planejada para garantir o fluxo de água regular e contínuo à geração de energia elétrica da cascata de usinas operadas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) – Paulo Afonso, Itaparica, Moxotó, Xingó e Sobradinho.

Depois de movimentarem os gigantescos geradores daquelas cinco hidrelétricas, as águas do São Francisco correm para o oceano Atlântico.

Será que o velho Chico vai agüentar?????

Suas águas cansadas além de irrigarem o Vale semi-árido do São Francisco estão sendo ampliada para regar até 2025, 800 mil hectares, garantindo água a cerca de 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Esta é a apreensão de todos aqueles que dependem das suas já enfraquecidas águas que estão sendo tiradas pelo Oceano Atlântico.
Veja o projeto.

http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/index.asp



Piaçabuçu significa Palmeira Grande cujo nome de origem indígena. Modesto município litorâneo do sul de Alagoas , banhado pelo Rio São Francisco. O principal ponto turístico é as areais formados pela Praia de Pontal do Peba e Praia do Peba, caracterizadas por suas belas e extensas formações de dunas paralelas à costa que se deslocam, conhecidas como dunas de Foz de São Francisco, também é conhecida por ser uma área de preservação de aves migratórias e tartarugas marinhas que habitam toda a zona.

O Pontal do Peba ou “Ipheba” significa pequena embarcação de 3 toras , sem vela, e só com um remo atrás, que entrava mar adentro e ainda hoje é fabricada A Praia de Pontal do Peba tem uma grande extensão e situa-se ao sul do povoado pesqueiro que lhe dá o nome. De areia fina e águas tranqüilas, é uma praia bastante freqüentada pelos amantes das longas calçadas às margens do Oceano Atlântico. Destaca-se por sua boa infra-estrutura com pousadas, bares e restaurantes, e durante todo o ano realizam-se nas suas imediações numerosas atividades, entre as quais merece mencionar a Gincana de Pesca de Arremesso, em Novembro, e o Festival da Pilombeta, em Setembro.

Praia do Peba caracteriza-se por sua águas calmas de areia fina e escura. Destacam-se as extensas formações de dunas encontradas por toda a praia, especialmente na desembocadura do Rio São Francisco. Seu acesso é feito através da Praia de Pontal do Peba ou em barco desde a cidade de Piaçabuçú. É conhecida por ser um dos lugares mais importantes de desova das tartarugas marinhas que habitam nas costas brasileiras e que estão protegidas pelas leis do país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário