Neve

terça-feira, 1 de março de 2011

Rio de Janeiro - Quissamã

Cruzamos agora o município de Quissamã com uma grande riqueza cultural que ainda está presente  no rico patrimônio preservado e na memória de uma longa história que se mistura com a própria colonização do Brasil.

O município tem um dos maiores patrimônios históricos e culturais do Estado do Rio de Janeiro relacionado ao desenvolvimento e apogeu da produção do açúcar no norte fluminense com  várias construções bem preservadas e abertas à visitação. 

Visitando Quissamã se tem a impressão de um pequeno mundo isolado mas seu passado continua vivo lembrando as antigas sociedades dos engenhos e dos barões. Suas Palmeiras Imperiais indicam as fazendas, sua história e seus "causos" são lembranças de um tempo. Atualmente o município iniciou uma nova fase na sua História com o petróleo que está trazendo muitas mudanças e desenvolvimento na cidade.

Começamos nosso tour no centro da cidade onde esta o Solar da da Família silva no entorno da praça Brigadeiro José Caetano, construído em 1920. Foi palco de reuniões memoráveis, sempre em 6 de janeiro, em comemoração ao aniversário de casamento de seus proprietários, João e Cecília. Na casa estão guardados registros que contam a história do município e de seus habitantes, além da toalha que foi usada em todos os batizados dos netos e bisnetos dos donos do solar. 

Avaçando fomos a  Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro com seu  conjunto arquitetônico  composto pela igreja, o convento dos padres redentoristas (1928) e a gruta artificial dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. Ao seu lado direito, está localizado pequeno coreto em forma de cruz, cercado por grandes oitis.

O guia local nos auxiliou nos agendamentos e visitas nas fazendas onde começamos indo na zona rural para conhecer a casa da fazenda Quissamã antiga residência do primeiro barão e visconde de Araruama e de seu filho, o barão e visconde de Quiçamã. Atualmente abriga o Museu Casa de Quissamã  . Erguida em 1826 por José Carneiro da Silva, primeiro barão e visconde de Araruama, que a passou como herança para um de seus filhos, João Caetano Carneiro da Silva, barão e visconde de Quiçamã. A seqüência cronológica de construção da Casa da Fazenda Mato de Pipa (1777), da Casa da Fazenda Quissamã (1826, ampliada em 1860) e da Casa da Fazenda Mandiqüera (1875) exemplifica o enriquecimento da oligarquia rural da família Carneiro da Silva e os diversos gostos e estilos arquitetônicos prevalecentes em cada época. Esta casa hospedou o imperador D. Pedro II e sua comitiva em 1847, quando vieram inspecionar as obras de construção do canal Campos-Macaé. Aproveitou-se a ocasião para realizar o casamento de Bento Carneiro da Silva, futuro segundo barão, segundo visconde e conde de Araruama, e filho primogênito do primeiro barão e visconde de Araruama, com a filha do barão de Muriaé. O imperador D. Pedro II foi padrinho da cerimônia religiosa. As pessoas mais ricas e importantes de toda a região participaram do baile de comemoração. Como não havia lugar para todos na casa grande, vários tiveram que dormir nas senzalas e armazéns da fazena. A casa recebeu o imperador D. Pedro II uma segunda vez, em 1877, para inauguração do Engenho Central de Quissamã. Com sua morte, em 1942 foi fechado e vendido na década de 1950 para a Cia. Engenho Central de Quissamã que tinha apenas interesse em plantar cana-de-açúcar nas suas terras.Foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Quissamã, restaurado e transformado no Museu Casa de Quissamã e futura sede do Parque Municipal, que utilizará o trecho local do canal Campos-Macaé como local de lazer.

A seguir fomos a Casa da Fazenda Mandiqüera erguido em 1875 com projeto do arquiteto alemão Antônio Becher, o mesmo da Machadinha. Foi construído para residência de Bento Carneiro da Silva, Conde de Araruama, filho mais velho do 1º Visconde de Araruama, cujo casamento contou com a presença de D. Pedro II. Em estilo neoclássico é considerada a mais luxuosa residência rural do século XIX na região. Entre as pessoas ilustres da história, este solar teve como hóspede em 1877 o Imperador Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina, que vieram participar da primeira moagem do Engenho Central de Quissamã.O solar foi cenário para as gravações dos filmes “O Coronel e o Lobisomem” e “Deu no New York Times” e hoje pertence e esta sendo restaurado pela Prefeitura de Quissamã . O conjunto é composto ainda pela casa primitiva Santa Raquel, que abrigou os construtores do solar e do Engenho Central; pela fábrica de doces Fios de Ouro, que foi instalada no local do antigo engenho de açúcar da fazenda (1847); e pela monumental alameda de palmeiras imperiais na entrada.

Também passamos na Casa da fazenda Mato de Pipa a mais antiga casa de senhor de engenho que restou na região norte fluminense. Foi o núcleo original do processo de povoamento que deu origem ao centro urbano da atual cidade de Quissamã.Erguida entre 1777 e 1782 por Manuel Carneiro da Silva, capitão da aldeia dos índios em Quissamã, que possuía uma sesmaria que ia da lagoa Feia à lagoa da Ribeira.

Continuando a visita para conhecer um pouco do ciclo do açúcar o guia  nos mostrou a Fazenda São Manoel uma bela construção de 1886, construída em uma elevação com vista dos vales dos rios Macabu e do Meio. Foi residência de Manoel Pinto Carneiro da Silva, filho do Conde de Araruama. Os arcos góticos da fachada trazem parte do período de transição arquitetônica, que deixava o neoclássico para se aproximar do estilo eclético do fim do século XIX. Em excelente estado de conservação, ainda guarda móveis e utensílios da época e mantém várias construções antigas em seu entorno. É mais uma visita imperdível para quem quer conhecer um pouco mais do ciclo do açúcar do século XIX.

Pela estrada das Palmeiras, fomos a Fazenda São Miguel que representa o fim do ciclo da cana de açúcar. Abriga móveis e utensílios do início do século. Na visita é oferecido almoço e uma apresentação teatral  que conta a história da fazenda e do seu período histórico de construção.  O terreno foi comprado dos frades carmelitas por José Caetano Carneiro da Silva, que construiu a primeira casa em 1858. No fim do século XIX, foi vendida para o sobrinho do visconde que, por sua vez, a vendeu ao engenheiro francês M. Bodaine que, em 1908, construiu a casa que hoje pode ser visitada. Em 1920,  Bodaine vendeu a propriedade ao Sr. José Francisco Tinoco.

Não conseguimos agendar visita nas Fazendas de Santa Francisca localizada na área rural construída em 1852 pelo Barão de Vila Franca, casado com Francisca Antônia Velasco Carneiro da Silva, filha do Visconde de Araruama e cujo nome batizou a propriedade. Convidados ilustres do Império passaram pela propriedade: a Princesa Isabel e o Conde D’ Eu, por exemplo, foram recebidos para um almoço com pompa e circunstância e na Fazenda Trindade construída em 1909 em terras da Fazenda São Manoel por José Francisco Tinoco Carneiro da Silva. Em 1920, José Francisco vendeu a propriedade a seu irmão Bento Manoel Carneiro da Silva, que veio a falecer e deixou a fazenda para seus descendentes. No local, além da sede, há algumas casas de colonos e uma antiga casa de farinha. Trindade possui estilo chalé romântico do final do século XIX.  O terraço fronteiro foi trazido da Casa de Capivari e possui trabalho em pedra mármore colorida, formando um relógio de sol. Atualmente, a fazenda serve de residência, produz coco e abacaxi e possui uma criação de gado. 


O Parque Nacional de Jurubatiba compreende uma faixa de orla marítima com 14.860 hectares de área e quarenta e quatro quilômetros de extensão ao longo da praia, com cerca de 2 km de largura na extremidade oeste, ao lado da lagoa Cabiúnas e 4,8 km de largura na extremidade leste (canal de Ubatuba), com um perímetro de 123 km. Da área total, 62,38% está no município de Quissamã.É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Sete capitães proprietários de engenhos no Rio de Janeiro recebem do Governador Martim de Sá, em 9 de agosto de 1627, a concessão da sesmaria que ia do Rio Macaé ao Rio Iguaçu, pertencente à Capitania de São Tomé, em troca dos serviços prestados à Coroa nas lutas para expulsão dos franceses do litoral do Rio de Janeiro. A ocupação, segundo o livro “Roteiro dos Sete Capitães”, se deu em 1633, com a instalação de currais para a criação de gado na Freguesia do Furado, localidade hoje chamada de Barra do Furado. Demoraria mais de um século para que a ocupação se tornasse efetiva, com a exploração em larga escala da lavoura canavieira e a construção dos primeiros engenhos de açúcar. 

O nome Quissamã foi dado à região pelos Sete Capitães, durante uma viagem de exploração em 1632, quando encontraram um grupo de índios e entre eles um negro. Os capitães estranharam a presença do negro "em lugares incautos e sem moradores". Ao indagarem quem era ele e como viera parar ali, respondeu-lhes que era forro e da Nação de Quissama, na África. O fato inusitado, pois à época era muito difícil encontrar negros em terras ainda não exploradas pelos portugueses, acabou por denominar o município de Quissamã. A palavra Quissamã é de origem angolana e significa "fruto da terra que está entre o rio e o mar". É o nome de um Parque de preservação ambiental que fica a 80 Km de Luanda, na foz do Rio Kwanza. 

Os dados históricos que segue tem como Fonte: O MUNICÍPIO DE QUISSAMÃ, Gilberto Queirós Matoso , site oficial da Prefeitura Municipal de Quissamã.

Por volta de 1750 a cultura da cana é introduzida na região de Campos dos Goytacazes, a pecuária cede lugar à monocultura açucareira. O primeiro engenho de açúcar de Quissamã, foi erguido em 1798, junto à antiga sede da Fazenda Machadinha.

A cultura da cana desenvolveu-se de tal forma que a região chegou a ter sete engenhos de médio porte, em suas fazendas, além de um elevado contingente de escravos. A cafeicultura não se desenvolveu em Quissamã, apesar de algumas experiências, principalmente dos pequenos proprietários de terras. O açúcar produzido em Quissamã e em Campos, era transportado em carros de boi a Macaé, e dai por barco ao Rio de Janeiro.

Em 1843 iniciou-se a abertura de um canal que facilitaria o transporte da produção desde Campos até O porto de Macaé, além disso, serviria para sanear a região pantanosa de Quissamã, infestada de mosquitos propagadores da febre palustre.

Esta obra era de tão grande importância que foi inspecionada pessoalmente pelo Imperador Pedro 11, quando de sua primeira visita a Quissamã (1847). O Canal Campos - Macaé foi inaugurado em 1861.Três anos após a inauguração, o canal entra em desuso, em favor da Estrada de Ferro Macaé - Campos. Ficando, no entanto, permanente sua utilidade como meio saneador da região.

Em função da conjuntura internacional e de fatores técnicos, os gran¬des proprietários de Quissamã decidem implantar um Engenho Cen¬tral, estimulados pelos debates em torno do assunto, como forma de contornar a crise, melhorar a qualidade do produto e diminuir a mão de obras utilizada na produção. A 6 de novembro de 1875 foi promulgado o Decreto Legislativo que introduziu a legislação referente aos Engenhos Centrais. Nesse mesmo dia o Governo Imperial pelo decreto nº 6.033, autoriza o funcionamento da Cia. Engenho Central de Quissaman, aprovando seus estatutos.

Deu-se início à construção dos prédios e à importação do maquinário francês através da Cia de Fives-Lille. A 12 de setembro de 1877 foi inaugurado o Engenho Central, o primeiro da América do Sul, em suas características. A partir de então foram desativados os pequenos engenhos da região, passando os produtores a entregar sua produção ao Engenho Central.

Quissamã conheceu neste período, um desenvolvimento esplendoroso. No século XIX surgem os solares dos viscondes e barões do açúcar. Nesta época também era comum a presença de visitantes ilustres como o Imperador D. Pedro II, a Imperatriz Tereza Cristina, a Princesa Isabel, o Conde D`Eu, Duque de Caxias, o Conselheiro Eusébio de Queirós e outros deixando Quissamã com um ar de corte. A partir do funcionamento do Engenho Central foi implantada linha férrea entre as fazendas e o Engenho e deste com o ramal da Leopoldina Railway, antiga E. F. Macaé - Campos, o que além de facilitara transporte da cana e a exportação do açúcar, permitia o transporte mais rápido e confortável aos passageiros com destino ao Rio de Janeiro ou à Campos.Foi instalado serviço telefônico entre as fazendas, o Engenho e a Freguesia que perdurou até a década de 60, neste século.

Até o começo do Século XX, Quissamã conheceu um espetacular desenvolvimento. Mas, a partir da crise de 1929, vários fazendeiros se endividaram e perderam suas terras em favor do Engenho Central de Quissamã, que monopolizou a economia local. A estagnação durou até a década de 70, com a criação do programa Pro-álcool e com a descoberta do petróleo na Bacia de Campos. Prevendo um crescimento econômico sem depender exclusivamente do engenho, a população se organizou para a emancipação e, em 12 de junho de 1988, decidiu se separar do Município de Macaé, através de plebiscito. Em 4 de janeiro de 1989, foi criado o município de Quissamã. Em novembro, foi eleito o primeiro prefeito, Octávio Carneiro da Silva.

Com o descobrimento do petróleo na Bacia de Campos iniciou uma nova fase na história de Quissamã. Ao contrário dos outros ciclos econômicos, o petróleo está possibilitando diminuir as desigualdades sociais, melhorar a educação e a saúde e a expectativa de vida da população, em busca do desenvolvimento auto-sustentável principalmente através da agricultura e do turismo.

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