Antes de chegar a Ouro Branco cruzamos pela Serra de Ouro Branco que foi reconhecida como APA, área de Preservação Ambiental, ali começa a Serra do Espinhaço, reserva da biosfera reconhecida pela UNESCO.Tem aproximadamente 1.614 hectares e uma altitude que varia de 1250 a 1568 metros. Abriga ecossistemas dos mais ricos do mundo, os campos rupestres. É uma importante área de recarga das Bacias dos Rios Paraopeba e Doce. Importante sítio histórico com inúmeras ruínas da época do Ciclo do Ouro. Esta Serra era um dos pontos de referência para bandeirantes e tropeiros que percorriam a Estrada Real. Por sua imponência e pela dificuldade de transpô-la, foi denominada por esses antigos viajantes como “Serra do Deus te Livre”. .
Passamos ainda por importantes construções como as pontes da Biquinha e Fazenda Pé do Morro distante quatro quilômetros da área urbana, aos pés da serra de Ouro Branco e às margens da Estrada Real.
Chegamos ao centro urbano de Ouro Branco onde visitaremos a Matriz de Santo Antônio, com pinturas do Mestre Ataíde, um dos mais importantes artistas do período barroco.A data de 1779, inscrita no frontispício da igreja, provavelmente refere-se à conclusão da edificação. Trata-se de uma bonita igreja, toda de pedra, inclusive as colunas, cunhais, cimalha, portada, bem como as sacadas do frontispício. Este, apresenta entablamento partido, formando arco e óculo trilobado, emoldurado de pedra e envidraçado, na parte central da composição. O corpo principal compreende a imponente portada em pedra, de verga curva encimada por uma composição esculpida e cruz, ladeada por volutas. A porta é almofadada. De cada lado da portada, duas janelas rasgadas ao nível do coro, com marcos de pedra, verga curva movimentada, arrematada por pequeno frontão. Acima da grande curva arqueada do entablamento eleva-se o frontão principal em grandes volutas, contracurvas, cimalha e cruz central de pedra. Esse conjunto é enquadrado pelas torres sineiras, com cobertura em cúpulas de alvenaria, arrematadas por coruchéu. No interior, a nave, o arco-cruzeiro e a capela-mor constituem um dos conjuntos de talha barroca mais bonitos de Minas. O retábulo do altar-mor apresenta rica talha dourada, com profusa ornamentação em volutas, alto-relevos e variados ornatos. Os altares laterais possuem também talha profusa, sendo providos de dossel, com a parte superior hemisférica. Destaca-se a pintura decorativa em perspectiva do teto da capela-mor e arco-cruzeiro. A tarja no alto do arco-cruzeiro é constituída pela esfera armilar, cercada de estrelas e emoldurada por ornatos barrocos, tendo superiormente uma coroa real com duas bandeiras de cada lado. À direita e à esquerda, dois anjos guardam o escudo. No teto da nave encontra-se pintura alusiva a Santo Antônio.
Também espiamos a antiga Casa Paroquial que na Fachada tem uma pequena cartela de pedra, com detalhes e floreios recurvos, onde está inscrita a data: 1759.
Você sabia que o povoado de Santo Antônio de Ouro Branco teve sua origem em fins do século XVII, provavelmente no ano de 1694, como conseqüência do processo de ocupação iniciado com as primeiras bandeiras que, subindo o Rio das Velhas à procura de ouro, desbravaram a região, assentando-se ao pé da Serra de Ouro Branco, também denominada, na época, Serra do Deus (te) Livre. Os primitivos habitantes desta região foram os índios da tribo Carijós. Os ex-integrantes da Bandeira chefiada por Borba Gato, Miguel Garcia de Almeida Cunha e Manuel Garcia, transpondo os altos da cachoeira de Itabira do Campo (atualmente Itabirito) descobre o ouro na falha radial da Serra, onde se encontram os mananciais dos Ribeirões da Cachoeira e Água Limpa. Tal descoberta não produz o rendimento esperado: Manuel e Miguel se desentendem e a bandeira se divide.Manuel Garcia segue na direção Nordeste, indo dar com o rico córrego do Tripuí, descobrindo o "Ouro Preto", cor produzida devido à presença do Óxido de Ferro em sua composição. Miguel Garcia, por sua vez, desce o vale do chamado "Rio da Serra", que corre para o Oeste, paralelamente à aguda escarpa da Serra de Deus Livre. Funda um povoado nessa região, após descobrir ouro de cor amarela, clara, produzida pelo mineral Paládio a ele associado, denominado "Ouro Branco" por simples contraste cromático aparente com o "Ouro Preto" do Tripuí. O ouro extraído em Ouro Branco era desprezível em relação à extração praticada em Ouro Preto. Por essa época, a má qualidade das jazidas auríferas e as dificuldades de exploração, advindas do primitivo processo utilizado, fazem atividade mineradora retroceder.

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