Neve

terça-feira, 15 de março de 2011

Minas Gerais - Ouro Preto


Hoje estamos mais animados e acostumados com o sobe-desce das ladeiras da cidade . Ontem a noite ficamos até tarde treinando e explorando com caminhadas distantes do centro. 

Como as igrejas são as atrações mais famosas de Ouro Preto reservamos o dia para visitá-las. Em quase todas elas cobram pequeno valor como entrada e não é permitido tirar fotos alegam que o flash da câmera estraga as obras e  querem preservar o direito de imagem. O Guia complementos dizendo que outrora ocorreu grandes furtos de obras valiosas nas igrejas e por isso proibiram fotos e filmagens no interior. O bom mesmo é entrar e ficar algum tempo contemplando  de perto todas as obras. 

As igrejas e construções históricas foram construídas por escravos e artistas como Aleijadinho, no auge do ciclo do ouro no século XVIII e espalham-se pelas ladeiras de Ouro Preto  inspiradas no estilo barroco e  exibem a suntuosidade típica da época. Visitar os pontos turísticos da cidade tem contato com um valioso acervo cultural  e uma verdadeira aula de história a céu aberto que vem desta a época da escravidão passando pelo movimento da Inconfidência Mineira. 

Então se preparem para o tour e para conhecer algumas das igrejas mais impressionantes do país.

Começamos na Rua Brigadeiro Musqueira atrás do Museu da Inconfidência está a igreja  N. Sra. do Carmo  a obra teve início em 1756. A parte arquitetônica foi concluída em 1780, sendo a decoração interna iniciado em 1784. A igreja conta com trabalhos de Aleijadinho, seus oficiais e de seu discípulo, Justino Ferreira de Andrade. A planta da igreja é curva na parte da frente. Embora não exista prova documental, sua portada é atribuída ao Aleijadinho. Manoel da Costa Ataíde é autor da pintura e douramento dos retábulos e do risco do altar-mor, que também executa seu douramento. As pinturas dos forros da nave e capela são obras do pintor italiano Ângelo Clerici. Painéis de azulejos, únicos em Minas Gerais, de legítima faiança pombalina, decoram os registros inferiores das paredes da capela-mor, ilustrando temas relativos à iconografia da Ordem do Carmo. Na sacristia há um lavatório com escultura em pedra sabão. O cemitério anexo foi iniciado em 1824, mas concluído somente em 1868. O sobrado e a casa térrea que se vêem ao lado do cemitério são contemporâneos à edificação da igreja. Funciona de terça a sábado, das 12 às 16:45h, e domingo, das 9:30 às 11h e das 13:30 às 16:45h. 

Na Praça Monsenhor Castilho Barbosa onde está a igreja  Matriz N. Sra. do Pilar o projeto desta igreja, considerada uma das mais requintadas do barroco, é atribuído a Pedro Gomes Chaves. A talha da capela-mor foi executada por Francisco Xavier de Brito. O acervo ainda inclui magnífica talha coberta de ouro e mais de quatrocentos anjos esculpidos. Foram empregados em sua ornamentação cerca de 400 quilos de ouro e 400 de prata. No subsolo  está o Museu e a biblioteca em arte sacra e história de Minas Gerais com acervo de 8 mil peças dos séculos XVII ao XIX que trazem vestígios da religião e cultura da antiga Vila Rica . A exposição é feita em seis salas e vitrines temáticas com pratarias, mobiliário, paramentos, imagens religiosas do século XVIII e algumas das vestimentas usadas na celebração do Triunfo Eucarístico e Semana Santa, além de documentos e móveis. Destaques para a imagem de Nossa Senhora das Mercês, com brincos de topázio imperial, atribuída a Aleijadinho e que ficou desaparecida por décadas até ser reencontrada em um antiquário; e para as produções de Francisco Xavier de Brito. Há ainda esculturas em madeira de Cristo, anjos tocheiros e santos de roca. Funciona de terça a domingo, das 9 às 10:45h e das 12 às 16:45h.

No Largo do Rosário está a igreja N. Sra. do Rosário raro exemplar do barroco mineiro, com sua fachada circular e por isso singular. Sua construção, iniciada em 1785, substituiu primitiva capela. Em contraste com o aspecto externo o interior é bem singelo, com evocação de santos negros. A tradição aponta a escultura de Santa Helena como sendo de Aleijadinho e as imagens de Santo Antônio e São Benedito atribuídas a seu irmão, padre Félix. Funciona de terça a sábado, das 12 às 16:45h, e domingo, das 13 às 15:30h.
    
No Largo de Coimbra está a igreja de São Francisco de Assis a mais famosa de Ouro Preto, um dos exemplares mais magníficos do barroco mineiro. Sua construção foi iniciada em 1766. é considerada obra-prima de Aleijadinho, responsável pelo risco geral do prédio, portada, tribuna do altar-mor, altares laterais e capela-mor. São também suas as esculturas da portada e dos púlpitos. Mestre Ataíde conferiu excelência artística ao teto, representando a assunção de Nossa Senhora. A arquitetura desta igreja tem inspiração militar. Horário: de terça a domingo, das 8:30 às 11:45h e das 13:30 às 17h.
   
Entre a Praça Barão de Queluz e a Praça Tiradentes está a igreja Matriz N. Sra. da Conceição : sua construção se estendeu de 1727 a 1746. O projeto e a execução ficaram a cargo de Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho e ambos estão enterrados ali assim  com outras figuras famosas, o do Barão de Pouso Alegre e o da baronesa, bem como as cinzas do seu filho, o Conselheiro do Império, Lafayette Rodrigues Pereira. Tem em anexo o Museu Aleijadinho que ali funciona desde 1968 e tem cerca de 250 peças sacras, documentos gráficos. Entre as obras de Aleijadinho expostas no museu, estão leões em madeira que serviam como suporte nas cerimônias solenes ; uma imagem de roca de São Francisco de Paula em pedra-sabão policromada, que "concentra todo o virtuosismo e as manifestações estilísticas do mestre"; e o Crucificado. O acervo também inclui vértebras e um metacarpo atribuídos a Aleijadinho. Horário: de terça a sábado, das 8:30 às 12:00h e das 13:30 às 17h, e domingo, das 12 às 17h.
    
Na Rua Padre Rolim está a igreja de São Francisco de Paula  a última igreja erguida no período colonial, com execução iniciada em 1804 na fase de decadência do ouro, ela é pobre em detalhes. A imagem do padroeiro, que hoje se encontra no Museu Aleijadinho, é atribuída ao mestre. De seu adro se tem uma bela vista da cidade.  Horário: de terça a sábado, das 9 às 10:45h e das 13:30 às 16:45h, e domingo, das 13 às 16:45h.

Ainda na mesma rua esta a igreja de  N. Sra. das Mercês e Misericórdia (Mercês de Cima) construída entre 1771 e 1793. A torre central foi projeto de Manuel Francisco de Araújo. 
  
Na Rua das Mercês está a igreja de N. Sra. das Mercês e Perdões edificada entre 1740 e 1772. Passou por reforma em meados do séc. XX. 

Na Rua Santa Efigênia  está a igreja de   Santa Efigênia ou de N.Sra. do Rosário do Alto da Cruz  construção levou 60 anos (1730-1790). Participou do projeto Manuel Francisco Lisboa, sendo que a talha da capela-mor é de autoria de Francisco Xavier de Brito. Diz a tradição oral que foi edificada graças ao ouro da Mina da Encardideira, adquirida por Chico Rei. Na fachada estão os relógios de pedra considerados os mais antigos da cidade. O adro é também um belo mirante, com vista para o bairro de Antônio Dias. Possui rico interior. Na pintura do teto pode ser visto um papa negro. Horário: de terça a domingo, das 8:30 às 16:30h.

Na Rua Teixeira Amaral, está a igreja de São José que  pertencia à irmandade que reunia vários artistas. O risco do retábulo da capela-mor e da torre são de Aleijadinho. Erguida entre 1730 e 1811.  

Na Rua Alvarenga Peixoto. está a igreja de   Bom Jesus de Matozinhos ou São Miguel e Almas cuja construção se deu por volta de 1778. Na porta principal - coroamento a imagem de São Miguel Arcanjo é supostamente de Aleijadinho. No interior as pinturas da ceia e da crucificação são de Mestre Ataíde.  Horário: de segunda a sábado, das 13 às 16:45h.
    
No alto do morro do Ouro Fino está a Capela São João Batista é o mais antigo templo de Ouro Preto, construído por determinação do bandeirante Antônio Dias em 1698. No local foi rezada a primeira missa pelo padre Faria.
    
Na Rua Cláudio Manoel encontramos a  Casa de Tomás Antônio Gonzaga que foi  nomeado ouvidor (juiz) de Vila Rica, tomou posse em 1782. Em 1788 passou a residir nesta casa. Foi preso acusado de participação na Inconfidência Mineira. Condenado, passou 10 anos de exílio na África. Famoso por ter escrito as liras de "Marília de Dirceu". Nelas relatava sua paixão por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que chegou a ser sua noiva. O romance se tornou proibido devido ao envolvimento de Gonzaga com os inconfidentes. De uma das janelas de sua casa acenava escondido para sua musa. 

Também é atribuída a ele a publicação anônima "Cartas Chilenas", onde ocultamente denunciava os desmandos do ex-governador Cunha Menezes, chamado "Fanfarrão Minésio". Horário de segunda a sexta, das 9 às 17:30h.
   
A Casa de Cláudio Manuel da Costa o advogado predileto da elite da região e também desempenhou funções públicas de destaque. Um dos principais nomes do movimento árcade no Brasil, cujo início foi marcado por uma obra sua (Obras Poéticas). Atribui-se a ele a autoria das "Cartas Chilenas", poemas que satirizavam os desmandos do governador Cunha Menezes. Suas ligações com a Inconfidência resultaram na sua prisão. Foi encontrado morto na cela, na Casa dos Contos. 

A Estação Ferroviária ocupa um prédio inaugurado por D.Pedro II em 1889. Atualmente abriga a Prefeitura Municipal de Ouro Preto. 

No morro do Cruzeiro encontramos a   Casa dos Inconfidentes provavelmente local de reuniões dos inconfidentes. Era propriedade do pai de José Álvares Maciel, que devia muito à Fazenda Real. Maciel, por sua vez, dependia financeiramente do pai e se tornou um dos mais ativos articuladores do movimento. A construção abriga até hoje alguns móveis de época.
    
Avançando também está a Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) uma instituição criada em 1969 por iniciativa do poeta Vinícius de Moraes, do historiador Afonso ávila e da atriz Domitila do Amaral. Tem como objetivo promover e dar incentivo às atividades culturais e turísticas na cidade. Nesta casa funcionam a administração, biblioteca, cursos de história da arte e galeria. 

Na praça Reinaldo Alves de Brito, esquina com a rua Conde de Bobadela (rua Direita) está o Fórum e próximo está o Chafariz dos Contos erguido em 1745 e a Casa dos Contos  um casarão enorme construído para abrigar um único morador e seus 40 escravos, que mantinham tudo funcionando.No porão funcionava a senzala e ali há uma exposição de vários utensílios que eram utilizados pelos escravos (ou por seus feitores, para castigá-los). O chão é do tipo pé-de-moleque, com pedras arredondadas tipo as de rio.Entrar na senzala é algo que arrepia. Pensar que ali dormiam tantos escravos, todos empilhados .O trabalho de restauração do casarão foi exemplar, assistimos um vídeo no local que mostra que tiraram até 10 camadas de tinta para encontrar a pintura original do teto. Ali também era feita a fundição de todo o ouro extraído pelos mineradores, bem como a separação do "quinto", a taxa obrigatória (20%) imposta pela coroa de Portugal que gerou insatisfação geral. Essa história hoje é contada por objetos e painéis explicativos espalhados pela casa. 
   
Em pensar que tudo nesta cidade começou em 1698 com uma expedição de paulistas chefiada pelo bandeirante Antônio Dias e acompanhada pelo Padre Fariavinha que vinham à procura de ouro e logo avistaram o procurado Pico do Itacolomi. A montanha pontuada vinha sendo mencionada há muito como o ponto de referência do local onde um certo mulato encontrou umas pedras negras que guardou e levou para Taubaté, onde verificou-se ser ouro puro. A partir daí aumenta o número de bandeiras que se dirigem à região. O metal é abundante, encontrado no leito e às margens dos rios e nas encostas dos morros. No início do XVIII, incrementa-se o desenvolvimento de incipientes arraiais mineradores a cada dia os pequenos arruamentos ganham novas edificações, e o comércio surge com certa intensidade, dando configuração urbana à primitiva região mineradora. Os arraiais de Antônio Dias e Ouro Preto se unem no morro de Santa Quitéria, onde hoje está a Praça Tiradentes. O visível crescimento desses arraiais leva o governador da capitania, Antônio de Albuquerque, a criar, em 1711, Vila Rica. Em 1763, já se vislumbra a decadência do ouro e o iminente colapso econômico, levando a Coroa a criar novos impostos que vão culminar na famosa Inconfidência Mineira. Em 1823, Ouro Preto é elevada a capital da Província de Minas Gerais, passando a se chamar Imperial Cidade de Ouro Preto, permanecendo como tal até 1897, quando é transferida a capital para Belo Horizonte.

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