Neve

quinta-feira, 17 de março de 2011

Minas Gerais - Conselheiro Lafaiete

No caminho entre Ouro Branco a Conselheiro Lafaiete mesclando trechos em asfalto e em estradas de terra se ouve histórias que envolvem a inconfidência mineira e o mártir Tiradentes. Neste trecho está o sítio arqueológico tombado pelo IEPHA com a árvore Gameleira de 500 anos que dizem que no dia 15 de maio de 1792 foi ali exposta uma das pernas  esquartejada do corpo de Tiradentes ali no Bicentenário da Inconfidência, a Açominas ergueu um Monumento a Tiradentes, conhecido  como “perna do Tiradentes” e, no local, há placa com o seguinte texto: “Esta Gameleira, em 1792, cobriu, com sua sombra amiga, parte do corpo esquaterjado de Tiradentes. Seu ideal de construir aqui uma fábrica de ferro está sendo realizado , hoje, pela Açominas, que incorporou à usina esta área, só Sítio da Varginha, por onde passava a Estrada Real, para sua preservação.”; na margem esquerda estão as ruínas da famosa estalagem da Varginha do Lourenço, onde Tiradentes pernoitava com inconfidentes e fazia reuniões secretas. Um pouco à frente  está a antiga Fazenda Carreiras  ou a Casa de Tiradentes em vias de ser tombada pelo patrimônio histórico do Estado (IEPHA), é uma bela construção do séc. XVIII, outrora usada como ponto de pesagem do ouro e de cobrança de impostos e dizem que serviu de pousada dos Imperadores Pedro I e Pedro II.

Chegamos em Conselheiro Lafaiete uma das primeiras e mais importantes cidades de Minas Gerais. Por ela passou o caminho novo, depois a Estrada Real, que ligava as riquezas do estado ao porto do Rio de Janeiro, então capital da colônia. Estas veias de comunicação serviram para o trânsito de homens, animais, mercadorias e do tão desejado ouro. Movimentavam-se também os ideais, que encontraram na antiga Queluz de Minas uma valiosa fonte de força e inspiração. A cidade recebeu seu nome atual em 1934. É uma homenagem ao filho Lafayette Rodrigues Pereira, que foi ministro (1883) e um dos mais importantes conselheiros do Imperador Dom Pedro II.

No bairro Santo Efigênia no  final da rua Barão de Suassui está a Igreja de Santa Efigênia construída por Francisco Gonçalves na década de 1920 inaugurada a 22 de agosto de 1926. Reformada em 1979 ganhou um novo retábulo e sagração do altar de mármore tornando-se mais um cartão-postal da cidade.

Bem próximo está a Praça do Cristo com o Centro de Lazer “José Maurício Henriques”  inaugurado no dia 29 de maio de 2002 tendo pistas de skate, Cooper, 02 quiosques, playground infantil, área de musculação, quadra de areia, concha acústica para apresentações culturais e um vagão doado pela Rede Ferroviária Federal. Ali também esta o Monumento ao Cristo Redentor inaugurado em 12 novembro de 1988 com altura de 29 metros, pode ser visto de vários ângulos da cidade  e tem uma iluminação especial.

Continuando o passeio chegamos na Praça Tiradentes onde esta a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira da cidade e dos bandeirantes construída a partir de 1732.O painel do altar mor, os retábulos e altares, possuem características das três classes barrocas do Brasil Colonial e de outras estéticas posteriores, que configuram o processo histórico de mais de duzentos e cinqüenta anos.A imagem do Senhor dos Passos, vinda de Portugal, no século XVII, tem o sangue da testa e das mãos encarnadas em rubi. Em seu interior, estão sepultados, entre os restos mortais de outras figuras famosas, os do Barão de Pouso Alegre e o da Baronesa, bem como as cinzas do seu filho, o conselheiro do Império, Lafayette Rodrigues Pereira, patrono da cidade. A edificação religiosa conta com pequeno adro a sua volta, estando o mesmo ligeiramente elevado em relação às ruas. O acesso se dá por escadaria frontal e lateral. Aos fundos há área semicircular e à frente, um platô defronte à porta principal, entre a mesma e a escadaria. Lateralmente, há ajardinamento entre o passeio de nível inferior e a área de circulação próxima às fachadas. Um antigo cemitério ocupava esse adro e foi extinto no início do século XX. No meio da Praça Tiradentes está o coreto construido em  1935, com linhas clássicas dos coretos portugueses ; o moderno Relógio de Queluz cuja base é a roda dentada, símbolo do Rotary. O maquinário foi fabricado pela DIMEP e também a Fonte Luminosa construida em 1940 tendo um lago de oito metros de diâmetros, com 30 centímetros de profundidade e no centro um pedestal artístico com sete grupos de projetores primários, formando quatorze desenhos de água, todos diferentes uns dos outros. A duração de cada desenho era de 20 segundos, ou seja, um total de 280 segundos, até completar o ciclo. A altura é variável, sendo que os mais altos atingem de sete a oito metros. A projeção de luz de cor é feita por doze projetores, sendo quatro para o vermelho, quatro para o verde e quatro para o amarelo, todos eles distribuídos e imersos no pequeno lago superior da fonte. As cores projetadas nos desenhos da água, são as combinações destas três.  Tem também ali o Monumento à Índia Carijó construído em 1988 tem como base estrutura de alvenaria e concreto armado, medindo aproximadamente 3,20m (três metros e vinte centímetros) de altura, este conjunto, compõe um espelho d’água de 6,50m (seis metros e cinqüenta centímetros) de diâmetros, circundado por jardineiras.

Chegamos agora no Centro Cultural "Maria Andrade Resende" em homenagem à mãe do ilustre Senador da República Dr. Eliseu Resende e fica na antiga estação “Lafaiete” fundada em 1883 por D. Pedro II. pertenceu à Ferrovia Pedro II, depois Central do Brasil e à extinta RFFSA, estando hoje sob concessão da MRS Logística, em comodato pela prefeitura municipal desde 1999 abriga em suas dependências a Biblioteca Municipal, que tem em seu acervo pelo menos 20 mil volumes, o memorial do Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, que recebeu da família diversas peças de uso pessoal e, ainda, O Museu Ferroviário com dezenas de peças utilizada no início da ferrovia e também uma Maria Fumaça, do século passado, além de um guindaste para abastecer de carvão as locomotivas movidas a vapor. A antiga estação, possui 11 cômodos em único pavimento. Os vãos são em verga reta, as janelas são de madeira laqueada. Algumas janelas originais de tamanho pequeno foram substituídas por outras maiores, feitas iguais as janelas grandes originais, para se adequarem ao uso atual.Os tipos de forro também são variados entre: madeira do tipo lambri, saia-e-camisa e laje pré-fabricada.Ali também esta a Locomotiva Orestein Koppel a vapor 6561 da Orenstein e Koppel,popularmente conhecida, na cidade de Conselheiro Lafaiete, como “Maria Fumaça” inaugurada em 1883 e reativada com a finalidade de visitação turística em maio de 2000. Pertenceu, primeiramente a firma: Trajano de Medeiros Fabricante de Material Rodante, Bondes etc. Após a falência, a máquina passou para o Banco do Brasil e foi repassada à Central do Brasil em 1951, rodou até 1968.

Na rua Assis Andrade, nº 540 está o Teatro Municipal "Placidina de Queiroz"  inaugurado no dia 21 de janeiro de 1988, leva o nome de uma antiga atriz queluziana Placidina de Queiroz a precursora do teatro na cidade filha de Felicíssimo Cândido de Meireles e Claudina Cândida de Meireles.


Conhecemos a seguir as Igrejas Matriz de São Sebastião construução iniciada em  1931 cujos sinos foram doados pela Rainha Helena, da Itália, em 1914 para a antiga Capelinha, em atenção a uma petição da colônia italiana de Queluz; Matriz do Bom Pastor com uma bela imagem do bom Pastor  e a Basílica do Sagrado Coração de Jesus com capacidade para três mil pessoas tendo uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, em alumínio, pesando 2500 Kg e com altura de 32 metros.

A colonização de Lafaiete antecede a de Mariana e Ouro Preto. Em 1790 foi elevada à Vila Real de Queluz, emancipando-se da Vila de São José Del´Rei (atual Tiradentes). Foi a décima vila a ser criada na província de Minas. O nome foi inspirado no Palácio Real de Queluz, em Sintra, Portugal. Queluz foi também palco da mais notável vitória das forças liberais sobre as tropas do império, em 1842. Os liberais lutavam contra a oligarquia conservadora que dominava o poder. Chegaram a instituir no local um governo provincial interino.Lafaiete recebeu seu atual nome em 1934, em homenagem ao filho Lafayette Rodrigues Pereira, que foi ministro (1883) e um dos mais importantes conselheiros do Imperador D. Pedro II. Toda a região de Conselheiro Lafaiete reúne um fabuloso acervo histórico, artístico e natural. A localização estratégica continua fazendo da cidade um ponto privilegiado da história, negócio, turismo e ideais de Minas Gerais.

Seguindo nosso roteiro conhecemos na rua Comendador Baeta Neves, 68 o sobrado da  Casa de Cultura “Gabriella Mendonça” uma construção do final do século XVIII em pedra e pau-a-pique, coberta de telhas. É um bem tombado como patrimônio cultural pelo município de Conselheiro Lafaiete. Sua volumetria dá o aspecto de uma construção poderosa e imponente, ao mesmo tempo em que a beleza de sua forma e os detalhes de sua ornamentação demonstram que o sobrado pertenceu a pessoas importantes. Sua sacada com gradil de ferro fundido, com sugestivos ornamentos, exibe o gosto e arte colonial das Minas setencionistas.No térreo, três portas, sendo que a da direita, dava acesso á antiga residência. Largo portão ao lado, servia de entrada para o grande pátio e quintal, locais em que se situavam as antigas senzalas, cocheiras, cômodos onde se guardavam arreios, carros de boi e também, lá existia um grande paiol.  Perteceu ao Tenente Coronel José Augusto Moreira de Mendonça, foi de grande influência e prestigio na cidade de Queluz. Foi coletor municipal,estadual e o primeiro coletor federal.Sua filha Gabriella Nogueira de Mendonça amante da cultura e das artes manteve em na residência uma escola particular  falecida em 1985 deixou a casa para a comunidade cultural


O luxuoso e imponente casarão situado  no meio de um bosque de frondosas árvores é chamado de Casa de hóspede da Remonta tem um traçado arquitetônico rico e de grande beleza e no seu interior tem mobilia  de época. Servius de casa de veraneio do Governo de Minas, também de residência oficial do Comando da Caudelaria . É de propriedade do Governo do  Estado de Minas que recebeu como pagamento de dívidas da Companhia Santa Matilde

Outro belo casarão em estilo eclético é a Casa das Lana construído  entre o final do século XIX e início do século XX. A fachada apresenta vários elementos decorativos aplicado em motivos geométricos, encimada por cimalha e cornija e a platibanda é coroada por um frontão que marca a porta de entrada, as colunas são coroadas no final da platibanda com pináculos esféricos, as esquadrilhas são de madeira, subdivididas em retângulos alternados por vidros transparentes e vidros coloridos.

Também o Solar Barão do Suaçu representante legítimo da arquitetura mineira, das vilas setecentista; construído no início do século XVIII e reformado em 1787, era propriedade do último capitão-mor da Real vila de Queluz, José Ignácio Gomes Barbosa, que o deixou por herança, a seu filho, do mesmo nome que veio a ser agraciado com o título nobiliárquico de Barão de Suassuí e além de residência do Barão de Suassuí foi Câmara Municipal, Fórum, Faculdade de Comércio Exterior, Fundação de Ensino “Monsenhor Horta”, Grupo Escolar Inconfidência e Clube Social “Castelinho”

O Solar do Coronel João Gomes em estilo colonial, um dos poucos restantes do tempo da Vila de Queluz, tem a frente, com telhado caído, cinco sacadas ornamentadas, portas envidraçadas, no térreo, três grandes portais. Casa cheia de história e vivência política desde longo tempo.Era o Cel. João Gomes Ferreira, primo do Presidente do Estado e da República, Arthur Bernardes, que muito o prestigiou.Transferindo sua residência para Queluz, se estabeleceu na Fazenda da Estiva, nas proximidades das jazidas de manganês do Morro da mina.O Cel. João Gomes Ferreira, casou-se com D. Amélia Zebral Gomes Ferreira, residindo por muitos anos no prédio de propriedade de seu sogro, Dr. Zebral, antiga rua Direita, nº 134, hoje rua Comendador Baeta Neves, de propriedade dos herdeiros de Mário Zebral.

O Solar dos Amaral hoje é a Casa de Artesanato João Salgado construida no início do século XX, com característica do neoclássico francês onde era residência da família Amaral Furtado, no início do século XX, e também do renomado jornalista e advogado Castilho de Lisboa, de grande atuação política local.Sua construção com cimento e massa coberta, telhado com telhas curvas, em águas. Ao fundo, um jardim com cômodos que serviram da casa. As janelas são de duas bandeiras, em madeira, com vidraças em estilo guilhotina. O interior da casa é assoalhado de tábuas corridas e forro em madeira, tipo saia-e-camisa. A fachada da edificação possui umas portas centrais, ladeadas por 4 janelas. No frontispício, motivo central em estilo de concha.

Na rua Cel. Arthur Nascimento nº 63 está o  Solar dos Nascimento uma das poucas que ainda resta,do tempo da Real Vila de Queluz. Construída no século XVIII, estilo colonial, mantém os traços da época de sua construção, com telhado de quatro águas, grande porta à frente, com uma lira de bronze trabalhada, seis janelas grandes em madeiras e vidro. Era do Barão de Queluz, que se tornou sogro do Cel Arthur Nascimento político de grande prestígio, assumindo de 1890 até 1891, a presidência da Câmara Municipal de Queluz, como Chefe Executivo.

Situado no bairro  Carijós na Praça da Bandeira está o Monumento ao Expedicionário construido pelo Rotary Clube em 1966 pela passagem do que acreditava ser o Centenário da cidade reverenciando os expedicionários que participaram da 2ª Guerra Mundial. Próximo também esta Memorial do Milênio na  praça em frente ao Complexo Esportivo “Deputado Agostinho Campos Neto” inauguradom em  2000 cuja urna metálica contém documentos sobre o passado e o presente de Conselheiro Lafaiete. O monumento possui uma base de concreto suspensa onde fica a urna do memorial e quatro colunas metálicas com 13 metros de altura, construídas pela empresa Tetramir. No alto destas colunas há uma figura mostrando uma pomba durante o vôo para que a paz fique eternizada no momento.

Na saída do município pela BR 040 está o memorial do Conselheiro Lafayette na Fazenda dos Macacos. Ali conhecemos  através de fotografias, móveis e objetos pessoais, material bibliográficos e documentos toda a historia do grande jurisconsulto e patrono do município Lafayette Rodrigues Pereira, filho do Barão de Pouso Alegre, Antônio Rodrigues Pereira, e da baronesa, Clara Lima Rodrigues. Completou os estudos primários e secundários, partiu para São Paulo, matriculou-se na Faculdade de Direito em 1853. Como está registrado no ofício enviado pelo diretor da Faculdade, dr. Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, ao ministro do Império, conselheiro Luís Pedreira do Couto Ferraz, Lafayette era o melhor estudante da turma na qual figurava, entre outros nomes, o de Paulino José Soares de Sousa.Ao chegar ao terceiro ano do curso, foi escolhido presidente efetivo do Ensaio Filosófico, colaborando na revista dessa associação.Ao término dos estudos, em 1857, com vinte e três anos, partiu para Ouro Preto, onde foi promotor público. Porém, no ano seguinte, já havia se mudado para a capital do Interior. Foi trabalhar, a princípio, nos escritórios de advocacia de Andrade Figueira e Teixeira de Freitas. Durante seu tempo de advogado e político, dedicou-se também ao jornalismo. Fundou, com Pedro Luís e Flávio Farnese, a “Atualidade”, jornal em que escreveu excelentes artigos, de 1858 a 1860. Esse órgão da imprensa carioca se distinguiu entre os demais por sua feição políticas e literária e por adiantado liberalismo.Nos anos seguintes, foi redator dos jornais “Lê Brasil”, “A Opinião Liberal” (1866), “Diário do Povo” (1866) e “A república” (1870 a 1874). Em 1864 a 1865 exerceu as presidências do Ceará e a do Maranhão em 1865-1866 foi Ministro da Justiça em 1878-1880, foi nomeado pelo Imperador para o Conselho do Estado, acumulando em 1883, a parte de Fazenda. Em 1885. Lafayette foi nomeado para compor a Comissão Mista Internacional na Questão do Chile, retornando ao Brasil em 1886, assumindo sua cadeira no Senado.A princesa Izabel o condecorou com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, em 1888.Quando se instaurou a Republica no Brasil, o Conselheiro Lafayette estava nos Estados Unidos, sob recomendação de D. Pedro II, para participar da Conferencia Pan-americana dos Estados Unidos, Lafayette segui para a França, ficando refugiado em Paris ate 1892.Em 29 de janeiro de 1917,faleceu o Conselheiro Lafayette, no Rio de Janeiro. Seus restos mortais estão depositados na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em sua cidade natal.

Foi na cidade de Conselheiro Lafaiete, antigamente conhecida por Queluz, que foi introduzidas no século XVIII, através do trabalho artesanal da família portuguesa Meireles as “Violas de Queluz” construidas com as madeiras de pinho de riga das tábuas de caixa de explosivos, que abasteciam a mina de manganês. Para construir estes instrumentos musicais de origem portuguesa a familia teve que ampliar seus negócios chegando a quinze fábrica no final do século XIX. Existem dezenas de modelos de violas no Brasil, sendo a viola caipira a mais conhecida, no entanto, a “viola de Queluz” é a que representa Minas Gerais no universo musical.Gradativamente, as violas de Queluz deixaram de ser comercializadas e se tornaram raras entre os músicos e festeiros foliões.

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