Indo agora para a região da Serra da Mantiqueira encontramos a cidade de Caxambu com um belo conjunto arquitetônico e paisagístico entre dois pequenos vales numa área de 210 mil. Esta pequena cidade concentra o maior complexo hidromineral do mundo, com doze fontes de água mineral com propriedades diferentes que jorram ininterruptamente do subsolo usadas desde a segunda metade do século XVIII em terapias e no tratamento de diversas doenças, a maioria delas concentradas no Parque das Águas "Dr. Lisandro Carneiro Guimarães", tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA).
A cidade vive das águas virtuosas, desde a época do Brasil colônia, onde o Antigo Império ficou ainda mais próximo com a Estrada Real. A fama de suas águas correu mundo. Existe duas versões para a origem do nome da cidade de Caxambu são bem variadas. Há os que defendem que vem de duas palavras africanas, cacha (tambor) e mumbu (música), que designavam os instrumentos musicais utilizados pelos escravos africanos na época. Os batuques lembravam o borbulhar das águas. Além disso o morro em cujo sopé se localizavam as fontes tem uma forma cônica, semelhante ao do tambor africano, daí passou a se chamar Caxambu. Entretanto a versão mais aceita defende que a palavra vem do tupi catã (fazer borbulhas) e mbu (mesmo que pu, que significa ferver). Sendo assim a tradução mais próxima seria "bolhas a ferver" ou "água que borbulha". A afirmativa se sustenta uma vez que o local já era conhecido por este nome antes da chegada dos primeiros escravos.
Na chegada subimos de carro até o mirante do morro Caxambu que tem aproximadamente 1090 metros de altitude e a 186 metros acima do Parque das Águas e proporciona uma deslumbrante vista da cidade e arredores. De lá, é possível avistar a cidade de Baependi além de muitas serras próximas. No Morro tem uma estátua do Redentor datada de 1961 com 15 metros de altura e um Cruzeiro de 1929.
Antes de fazer os passeios pela cidade nos hospedamos no Palace Hotel que fica próximo de tudo. Este hotel imponente e suntuoso tem muita história sendo inaugurado com muita pompa em 1894 e considerado até 1914 o maior do país com estilo arquitetônico neoclássico. Tudo era luxuoso e importado da Europa, principalmente da França.
Em seguida fomos conhecer o Parque das Águas que tem cerca de 210.000m2 de área entre bosques, jardins e alamedas de grande beleza paisagística e onde esta as 12 fontes de águas minerais, gasosas e medicinais, com propriedades diferentes umas das outras.
Na entrada do parque tem um pequeno lago e no meio tem uma estátua da Ninfa do Lago representado por uma mulher nua que, acariciando seus cabelos molhados e olhando seus rebentos, simboliza a divindade das águas minerais.
Começamos pela Fonte Beleza conhecida anteriormente como Fonte lntermitente. Foi perfurada pelo Dr. Viotti em 1866. Como as fontes Duque de Saxe e Dona Leopoldina, seu estilo obedeceu ao empregado na época para as fontes francesas e o projeto de 1913 é de origem belga. Trata-se de um pequeno prédio, possuindo teto acupulado pintado, erguido por finas pilastras de ferro. O acesso à fonte, que tem a sua volta azulejos decorados, se dá por uma escada que possui nove degraus e corrimão de ferro
A Fonte D. Isabel Conde D’Eu desde de 1910 as duas fontes, ambas férreas passaram a dividem o mesmo pavilhão. Tem estilo neoclássico reproduzindo um típico “templo”, o pavilhão é todo aberto. O prédio possui teto acupulado, sustentado por pilastras. Dois pares de colunas demarcam o acesso frontal à escada de mármore. O piso é de azulejos decorados e antigos. Uma história bastante interessante envolve a Princesa Isabel que em 1868, junto com seu marido, o Conde d’Eu, foram atraídos para a cidade de Caxambu no Sul de Minas pela enorme fama de suas águas minerais curativas. A Princesa Isabel queria ser curada de sua infertilidade. Como algumas das Fontes de Água Mineral são ricas em ferro, a princesa então curou sua anemia, conseguindo engravidar presenteou a cidade com a Igreja de Santa Isabel.
A Fonte Dona Leopoldina foi captada em 1850. O projeto arquitetônico original é datado de 1912 e o prédio possui cúpula erguida por pilastras. Tanto o teto quanto as pilastras são decorados com pinturas. Arcos de ferro ligam as pilastras ao centro. Por ser todo aberto, tem-se acesso ao seu interior por qualquer um dos seis lados, descendo-se sete degraus. A fonte está protegida por uma grade de ferro. O chão é de cerâmica antiga e em estilo greco-romano. Padrões decorativos pintados ocorrem na parte inferior da cobertura do pavilhão, podem-se notar frisos ornamentais, e de arabescos de folhas e flores estilizadas e entrelaçadas em ferro.
A Fonte Dom Pedro é a mais antiga e simbólica do Parque das Águas, possui interessante construção em estilo greco-romano sendo um dos cartões postais da cidade de Caxambu. A captação ocorreu em meados do séc. XIX, e o pavilhão atual, de inspiração neoclássica, foi construído no início dos anos 60. O prédio tem cúpula apoiada por pilastras grossas, não tendo paredes. Em seu interior, encontra-se uma réplica da coroa que pertenceu a Dom Pedro. A fonte está em uma pilastra de mármore encimada pela Coroa Imperial. A água sai de uma torneira de aço inox. O acesso à fonte se dá por escada. É atualmente a mais importante pelo engarrafamento de sua água. De teor radioativo e carbônico e altamente gasosa, é indicada como água de mesa por sua natureza digestiva.
A Fonte Duque de Saxe captada em 1890 sob a administração do Conselheiro Francisco de Paula Mayrin. De todos os quiosques metálicos do parque é o que apresenta maior sobriedade de ornamentação e cores. Seu teto é todo pintado de rosa e é sustentado por pilastras. O piso é de cerâmica. As escadas que dão acesso à fonte possuem nove degraus cada uma e são cercadas por corrimão de grade de ferro. Em volta da fonte, encontram-se azulejos decorados.
A Fonte Ernestina Guedes descoberta em 1950, seu prédio, de construção simples, possui laje apoiada por pilastras redondas, chão em ardósia e três bancos de espera. Localiza-se um pouco abaixo do nível da rua e está em um monumento estrelado de onde jorra a água. O acesso se dá por duas escadas que possuem 17 degraus e corrimão de grade.
A Fonte Mayrink 1 . Todas as fontes Mayrink estão sob um prédio bonito. Há uma sala de espera para 30 pessoas, onde o piso é de azulejos antigos e decorados. O prédio possui três janelas em arco e contém toldos. A água mineral é acídulo-gasosa e radioativa e é indicada para a garganta. A escada que dá acesso às fontes possuem 11 degraus e balaustrada de ferro. As fontes saem de um cano e caem sobre uma pequena pia quadrada. Estas fontes foram captadas na última década do séc. XIX. O pavilhão quadrado baseia–se na arquitetura do Arco do Triunfo em Paris.
A Fonte Mayrink 2 tem água mineral acídulo-gasosa e radioativa e é um ótimo colírio, desafia qualquer irritação nos olhos.
A Fonte Mayrink 3 fica atrás do prédio Mayrink 1 e 2. O prédio é protegido por uma balaustrada. As paredes, no alto, têm decoração de volutas. O chafariz possui desenhos de volutas e conchas. O acesso é feito por escadas e vias laterais. Sua água mineral é neutra e sem gás. É usada para engarrafamento e para banhos no Balneário. A fonte abastece também a piscina de água mineral do Parque das Águas. Estas fontes foram captadas na última década do séc XIX.
A Fonte Venâncio foi captada em 1936. Construído em estilo “romântico”, bastante usado nos anos 40, seu quiosque é mais fechado que os quiosques das outras fontes. A planta é semicircular e a fachada frontal apresenta escadaria de acesso à entrada em arco e cobertura em quatro águas. O guarda corpo de alvenaria que circunda o local da fonte possui elementos vazados em meias-luas. O acabamento é em reboco pintado e cerâmicas vermelhas (piso).
A Fonte Viotti são dois pavilhões distintos, junto ao portão de acesso a fábrica de água mineral (Viotti Menor) e próximo à piscina de águas minerais (Viotti). O antigo pavilhão acompanhava o estilo arquitetônico das outras fontes projetadas na Bélgica. Atualmente, existe uma construção simples, de planta retangular, constituída por uma cobertura em quatro águas de telhas cerâmicas com beiral, apoiada por uma parede cega e dois pilares laterais revestidos em pedra e vazada nas outras fachadas. O prédio desta fonte é um dos mais amplos, possui duas paredes revestidas com pedras e as outras com azulejos. O acesso às fontes é por uma escada de 11 degraus, a escada é envolta por corrimão de ferro.
Gêiser Floriano de Lemos é uma nascente termal que entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor para o ar. A formação de gêiseres requer uma hidrogeologia favorável, o que só existe apenas em poucos locais na Terra. São fenômenos razoavelmente raros. O Gêiser de Caxambu não “explode” somente pela temperatura mas também pelo efeito do gás. A fonte, ainda não captada, jorra água mineral sulfurosa em intervalos indefinidos. A pressão do gás é tão alta que a fonte “explode” pelo menos três vezes ao dia, formando uma coluna de água mineral. Com alcance que pode atingir até 8m de altura (agora melhor distribuído para banhos através de uma construção cônica) e temperatura média de 27º C .
O complexo tem um suntuoso balneário de Hidroterapia construído no início do século em estilo neoclássico passou por uma ampla reforma . O prédio é ricamente ornamentado com vitrais franceses. Os azulejos, os pisos, vindos de Portugal e da Inglaterra, formam belíssimos mosaicos e desenhos. Em seu interior são oferecidos banhos, duchas, saunas, massagens terapêuticas e tratamentos estéticos.
O Parque das Águas de Caxambu tem um lago com pedalinhos, brinquedos, amplos jardins e lanchonete e contornado com diversos aparelhos de ginástica e por uma pista de Cooper onde se pode caminhar ou fazer cooper em meio aos jardins e ao bosque em contato direto com a natureza bebendo água direto das fontes de água mineral distribuídas pelo Parque.
Também no parque tem um belo Coreto ricamente ornamentado,cuja construção e do século XX. O projeto original, provavelmente de elaboração belga, consta de planta e fachada do “Kiosque à Musique”. A cobertura do Coreto tem forma bulbóide e nota-se, em sua composição, aspectos formais de inspiração oriental. Como os demais pavilhões, apresenta forro trabalhado, frisos e grades ornamentais em ferro com arabescos de folhas e flores estilizadas e entrelaçadas. O piso é cimentado sobre laje estruturada em perfis metálicos que cobre um porão alto que, atualmente, é usado como depósito.
O parque tem também quadras, playground e duas piscinas de Água Mineral abastecidas pelas águas minerais da fonte Mayrink.
Dá também para usar o Teleférico inaugurado em 28 de outubro de 1988 para fazer um passeio que custa R$10,00 por pessoa, ida e volta e corta o lago e a mata do Parque percorrendo 908 metros indo até o morro de Caxambu e avistando todo Balneário de Hidroterapia além da maioria das Fontes e atrações do Parque das
Fizemos um tour para conhecer também outras atrações da cidade como a Matriz Nossa Senhora dos Remédios de estilo gótico, teve sua pedra fundamental lançada em 1892, no mesmo local da velha capelinha de N.Sra. dos Remédios, do séculoXVIII.
Subindo a escadaria pela rua Américo Macedo chegamos na Igreja de Santa Isabel de Hungria construída a mando da Princesa Isabel em gratidão à cura de sua suposta esterilidade sendo tombada pelo patrimônio histórico e artístico de Minas Gerais, teve sua construção iniciada em 1868, em estilo gótico e foi inaugurada em 19 de novembro de 1897.
Anoiteceu quando concluimos nossos passeio e sentamos para descansar e observar o vai e vem dos moradores que se aglomeravam na praça central.

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