Quem chega a Congonhas, na região do Alto Paraopeba, se impressiona. Congonhas é considerada o triunfo Barroco de Minas. É um Monumento Cultural da Humanidade. A cidade reúne o maior conjunto artístico de Aleijadinho.
No alto de uma colina doze profetas vigiam atentos a cidade e ficam no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos considerado a imagem de Minas. Todo o acervo que inclui a Igreja, os 12 profetas em pedra-sabão esculpidos por Aleijadinho e as 66 imagens dos Passos da Paixão de Cristo foram tombados como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Formam o mais esplêndido conjunto da arte barroca mundial.
Começamos nossa visita guiada conhecendo a história do Santuário do Bom Jesus começa por volta de 1757 quando o português Feliciano Mendes fincou uma cruz rústica no alto do morro do Maranhão. Era o início da construção de um templo dedicado a Bom Jesus do Matosinhos, para o qual fizera uma promessa. Feliciano havia se curado de uma enfermidade contraída nos muitos anos de trabalho como minerador. Com um pequeno oratório ele ia recolhendo esmolas para a construção da capela, que não chegou a ver concluída. Não existem registros sobre a autoria do risco da igreja, mas tudo leva a crer que seja do próprio Feliciano, uma vez que era oficial de pedreiro e conhecia as igrejas do Bom Jesus do Matosinhos, em Portugal. Após a sua morte, em 1765,artistas talentosos somaram seus talentos e construíram com o correr do tempo a mais maravilhosa manifestação da arte e fé barrocas. Dentre eles estavam Aleijadinho, Manoel da Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro.
O acervo da Basílica Bom Jesus dos Matosinhos encerra muitos segredos. As histórias e lendas que envolvem as estátuas geram um delicioso fascínio. O próprio Aleijadinho, o mestre maior, era um personagem envolto em mistérios. Um gênio desfigurado pela doença, mulato, filho bastardo de português com uma escrava. O ouro escasseava, num movimento inversamente proporcional .À fé daqueles homens mineiros. Minas vivia a frustração pelo fim trágico do movimento da Inconfidência. Estas e outras histórias aumentam ainda mais o interesse despertado pelas imagens de pedra e cedro.
Disse o guia que com a nova iluminação quando cai a noite se intensifica significado da arte de Aleijadinho chegando a emocionar.Entramos no Santuário onde não é permitido filmagens e fotografias. Sentamos para contemplar a beleza interna do santuário enquanto o guia contava que está Basílica nasceu da fé especial de Feliciano Mendes que trouxe a imagem de Portugal e a colocou num oratório, e na época foi se espalhando notícias de curas alcançadas. A peregrinação era tamanha que Congonhas já não conseguia comportar os inúmeros romeiros. Devido a isto foi construída, na década de 30, a Romaria.
Continua dizendo que Congonhas se tornou um importante centro de mineração e dela saíram grandes fortunas da época. As pepitas de ouro chegavam a ter o tamanho de batatas, na famosa lavra chamada Batateiro. Em 1796 a força do ouro trouxe ao então distrito de Congonhas o mago das formas, o escultor Aleijadinho com a grandiosidade de sua arte.
A seguir descemos a alameda onde estão as seis Capelas dos Passos da Paixão capelas com as 66 imagens esculpidas em cedro rosa por Aleijadinho e pintadas por Manoel da Costa Athaíde . As esculturas foram realizadas de 1796 a 1799, sendo que as capelas ainda não haviam sido construídas. As capelas da Ceia, Horto e Prisão foram construídas de 1800 a 1818.
Começamos pela capela da Ceia que foi a primeira construída para abrigar as imagens em cedro do Líbano. Foi a única erguida durante a permanência de Aleijadinho em Congonhas, supõe-se sob sua orientação. A cena é dramática e reflete a perplexidade dos apóstolos diante da revelação de Cristo: "Em verdade vos digo,um de vós há de me entregar." Cada um declara sua inocência.
A capela do Horto retrata Jesus no Jardim das Oliveiras. Nesta capela está uma obra-prima de Aleijadinho: o anjo. Simbolizando a aproximação da Paixão, ele traz na mão direita um cálice com fel a ser bebido. "Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice." Havia uma cruz em sua mão esquerda, que foi retirada em 1957, visando evitar danos À imagem. A cruz era como a previsão do suplício derradeiro. Enquanto Jesus está angustiado, os profetas Pedro, Tiago e João dormem serenamente.
A outra capela da Prisão representa um dos episódios mais conhecidos da Bíblia, o milagre da cura de Malco, soldado do pontífice máximo de Jerusalém. O apóstolo Pedro, num ato desesperado para defender Cristo, decepa a orelha de Malco com uma espada. Cristo intervém e calmamente realiza o milagre da cura. Fazem parte da cena as figuras de Cristo, Malco, Pedro, Judas e quatro soldados. Algumas delas têm 2 metros de altura. As expressões das imagens revelam um momento de tensão, misturando cólera e perplexidade. Mestre Ataíde, responsável pela policromia do conjunto, confere ainda mais dramaticidade ao episódio e sua pintura funciona como principal agente de unidade estética.
A seguinte é a capela da da Flagelação e Coroação de Espinhos : após a construção das capelas do Horto e da Prisão, as obras das demais permaneceram interrompidas por quase meio século, sendo retomadas em 1864. Todas as estátuas estavam prontas - Aleijadinho faleceu provavelmente em 1814 - e aguardavam a construção do restante das capelas. Ficou decidido que em vez de sete seriam erguidas seis capelas, o que acarretou no congestionamento do quarto Passo, que passou a abrigar dois grupos: Flagelação e Coroação de Espinhos. Quatorze peças se espremem num espaço pequeno, dificultando a compreensão imediata das cenas. Duas imagens de Cristo são atribuídas a Aleijadinho, e também uma terceira, a do segundo soldado (Flagelação), que serviu de modelo para seus discípulos confeccionarem o restante. As três se distinguem pelas expressões caricaturais dos rostos, dos olhos, queixos e rugas na testa. A policromia das peças provavelmente não foi feitas por Mestre Ataíde.
Chegamos na capela da da Subida ao Calvário que retrata um momento do caminho de Cristo para o calvário, o "Encontro com as filhas de Jerusalém", descrito no Evangelho de São Lucas. Cristo fala com duas mulheres que o seguiam chorando. A primeira enxuga as lágrimas e Cristo diz: "filhas de Jerusalém, não chorais por mim, mas chorais por vós mesmas e seus filhos." A segunda mulher segura nos braços um menino.
Em seguida na capela da Crucificação formado por onze imagens. Neste grupo podemos notar três unidades cênicas. Na zona central está Cristo, dois carrascos crucificando-o e Madalena, de joelhos, em desespero. Do lado esquerdo dois soldados disputam a túnica de Cristo. À direita estão o bom e o mau ladrão À espera do momento de também serem crucificados.
Por fim paramos defronte ao Santuário onde o Guia diz que Aleijadinho trabalhou cinco anos para concluir as obras no adro com o grupo dos 12 profetas em pedra-sabão é o considerado o mais famoso conjunto de estátuas barrocas do mundo.
Os profetas mostrados por Aleijadinho são:
-Isaías profeta do Antigo Testamento , Isaías, abre a série de honra na entrada da escadaria do lado esquerdo do Santuário.A estátua esculpida por Aleijadinho, tem o tipo físico de um personagem de idade avançada, barbas e cabelos abundantes. Veste uma túnica curta, que deixa descoberta a parte inferior das pernas calçadas de botas, sobre a qual se acha jogado um amplo manto. Segura o pergaminho com a mão esquerda, enquanto a direita aponta para o texto nele inscrito.Apresenta erros anatômicos de grande evidência, como a desproporção entre as partes superior e inferior do corpo, a estreiteza dos ombros, braços rígidos e curtos. Apesar de trazer a marca da interferência do "atelier", a expressão da cabeça de Isaías não é outra senão aquela criada pelo gênio de Aleijadinho. A verdadeira expressão de um iluminado diante de uma visão, constituindo-se em uma das mais importantes peças de todo o conjunto arquitetônico.
-Jeremias ocupa também posição de destaque na entrada da escadaria, à direita de Isaías, encontra-se o Profeta Jeremias, autor do segundo dos livros proféticos na ordem do Cânon bíblico.O tipo físico do Profeta Jeremias, esculpido por Aleijadinho, é o de um homem de meia idade, com bigodes longos nas laterais da boca e a barba curta, composta de rolos frisados, à moda bizantina. Veste túnica curta, que deixa à mostra a perna esquerda, e manto levantado sobre o ombro direito, caindo até os pés na parte superior. Segura o pergaminho com a mão direita e, na esquerda, uma pena. Na cabeça, ostenta um magnífico turbante, arrematado por abas torcidas passando entre as presilhas. Do ponto de vista anatômico, essa estátua apresenta deformidades. Entretanto, apesar dos defeitos observados, nota-se a intervenção de Aleijadinho na execução da cabeça, onde, sem dúvida, se concentra toda a força real da imagem.
-Baruc apesar de não integrar a série dos profetas do Antigo Testamento, a inclusão de Baruc no conjunto estatuário de Congonhas justifica-se pelo seu destaque na ordem do Cânon bíblico.Baruc traz nas mãos um pergaminho cuja citação é uma síntese de várias passagens de suas profecias. A escultura, situada no pedestal que arremata o muro de alinhamento central do adro, representa um personagem jovem e imberbe, vestido de túnica curta e manto, calçando botas. Traz na cabeça um turbante com bordas decoradas semelhantes às do Profeta Jeremias. Uma das mãos sustenta as pregas do manto, enquanto a outra segura o pergaminho. A peça, de proporções atarracadas e erros anatômicos evidentes, é uma das mais fracas do conjunto. A força da imagem, entretanto, vem da expressão do rosto, parte executada por Aleijadinho.
- Ezequiel do lado oposto a Baruc, no pedestal que arremata o muro de alinhamento central do adro, encontra-se Ezequiel, também conhecido como o "profeta do exílio", por ter sido banido para a Babilônia com o povo de Israel. A inscrição do pergaminho traduz a síntese de três etapas sucessivas da visão do profeta: primeiramente, aparecem-lhe quatro animais alados de quatro faces cada um, em seguida, as quatro rodas de um carro de fogo sustentando um trono de safira e, finalmente, sobre esse trono, o próprio Deus de Israel. O tipo fisionômico de Ezequiel é o mesmo de Jeremias. Usa bigodes e barba curta, seccionada em dois rolos frisados e cabelos longos caindo sobre a nuca. Ao invés da túnica curta, o Profeta veste uma túnica longa e cintada, que deixa a descoberto apenas a ponta do pé direito, Em lugar do turbante, Ezequiel traz na cabeça um barrete com viseira presa por um laço acima da nuca. Recobrindo toda a parte posterior da imagem, o manto é magnificamente decorado por uma barra com desenho devolutas entrelaçadas. A escultura não parece ter sofrido intervenção do atelier. Sua grande força de expressão revela cuidados particulares de Aleijadinho em sua execução. Além da impressionante expressão da cabeça, destaca-se também a significativa flexão do braço direito.
-O Profeta Daniel, ladeando a passagem para a entrada do adro, em frente a Oséias, encontra-se a estátua. O confronto do quarto dos profetas maiores e do primeiro dos menores, nessa situação privilegiada, revela, mais uma vez, um projeto iconográfico preciso para as posições das estátuas no adro.Os traços fisionômicos da escultura mostram um jovem imberbe como Baruc e Abdias. Entretanto, a fisionomia de Daniel difere da deles, pelo recorte especial dos olhos, a boca e o nariz longo, de narinas fortemente sulcadas, revelando em seu conjunto uma expressão altaneira e distante, própria de um herói cônscio de sua força. A coroa de louros que decora a mitra da cabeça acentua esse aspecto e é uma alusão evidente à vitória sobre os leões. Como Ezequiel, Daniel veste uma túnica longa, presa na cintura por uma faixa abotoada no colarinho. Nessa escultura, parece que Aleijadinho dispensou colaboração de seus auxiliares. Trata-se da estátua de maior dimensão de todo o conjunto e, apesar disso, a peça é monolítica e particularmente bem executada, revelando, sem dúvida, a marca do gênio de Aleijadinho.
- Oséias o mais importante dos profetas menores, Oséias, ocupa no Santuário lugar sobre o pedestal que arremata o parapeito de entrada do adro. Oséias, assim como Ezequiel e Jeremias, veste um casaco curto, abotoado da gola à barra e preso na cintura por uma faixa. A cabeça é coberta por um barrete semelhante ao de Ezequiel. Calça botas tipo borzeguins e tem na mão direita uma pena, cuja ponta, apoiada sobre a barra do manto, reproduz uma atitude de quem está escrevendo. A anatomia da escultura é correta, apesar da discrepância entre o comprimento dos dois braços.
- Joel o segundo dos profetas menores do cânon bíblico, ocupa seu lugar no adro à direita de Oséias, na junção do parapeito de entrada do adro e da parede interna lateral.A fisionomia da escultura, assim como a de Jeremias, Ezequiel e Oséias, é de um personagem viril, de barba e bigodes em rolos à moda bizantina. A roupagem é semelhante à de Oséias, sendo a gola substituída por um colarinho alto. Joel traz à cabeça o mesmo modelo de turbante com abas retorcidas, já utilizado em Jeremias e Baruc. A estátua praticamente não revela imperfeições anatômicas. É uma das mais vigorosas de todo o conjunto e sua força de expressão revela a atenção de Aleijadinho em grande parte de sua execução.
- Abdias ocupa o ponto inferior do adro que une os muros dianteiros e lateral esquerdo no adro do Santuário.A fisionomia de Abdias é de um jovem imberbe, assim como Baruc, Daniel e Amós, mas as proporções bem mais esbeltas dão a impressão de uma maior juventude. Abdias veste túnica e manto como os apóstolos da ceia, complementado apenas por um gorro simples, mas o arranjo das pregas é muito bem organizado num jogo erudito de luz e sombra.Essa estátua pode ser analisada comparativamente à do profeta Habacuc, que ocupa posição equivalente no extremo oposto do adro. Exercendo visualmente a função de baluartes laterais do adro, Abdias e Habacuc têm a mesma atitude simétrica dos braços levantados para o alto, mesmo tipo de roupagem, assim como jogo aparentemente complicado dos panejamentos. Pela posição que ocupam, ambas estátuas receberam especial cuidado de Aleijadinho, sendo provável que a intervenção do "atelier" se tenha limitado ao acabamento das partes acessórias, uma vez que as imagens são anatomicamente perfeitas.
- Amós no ponto extremo do adro, à esquerda, na parte superior do arco de circunferência que une os muros extremos dianteiro e laterais do Santuário, encontra-se a estátua do Profeta Amós. Amós difere totalmente dos demais profetas do conjunto e essa diferença se faz notar tanto no tipo físico, quanto na indumentária. Seu rosto largo e imberbe tem a expressão calma, quase bonachona, como convém a um homem do campo. Suas vestes condizem com a sua condição de pastor. Amós está vestido com uma espécie de casaco debruado de pele de carneiro e traz na cabeça um gorro, de forma semelhante ao que usam ainda hoje os camponeses portugueses da região.Dada a grande altura do muro em que está colocada, a escultura parece ter sido concebida para ser vista pelo lado esquerdo, já que o lado direito dela
apresenta deformações, como, por exemplo, a omissão da perna da calça deste lado. Como a estátua de Daniel, é uma peça praticamente monolítica, com apenas uma pequena emenda na parte superior do gorro.
- Jonas ocupando posição simétrica à de Joel, no ponto de encontro dos muros que formam o parapeito de entrada do adro à esquerda, encontra-se a estátua de Jonas. Para o mais popular dos profetas menores, Aleijadinho reservou lugar de destaque, colocando-o junto de Daniel.A estátua de Jonas repete o mesmo padrão tipográfico já anteriormente usado para as imagens de Jeremias, Ezequiel, Oséias e Joel. Sua fisionomia, entretanto, apresenta traços distintos, como a boca entreaberta com os dentes aparentes e a cabeça voltada para o alto. O vestuário de Jonas se compõe de uma espécie de batina, com colarinho, abotoada até a cintura, onde é presa com uma faixa. O profeta traz também um manto jogado sobre o ombro esquerdo e o habitual turbante em forma de mitra, com abas retorcidas. A estátua parece ter recebido de Aleijadinho o mesmo cuidado especial dispensado a Daniel. Não se nota qualquer traço indicador da intervenção do "atelier". Acham-se reunidos nessa peça dois aspectos essenciais de seu gênio criador: a capacidade de expressão dramática que caracteriza a visão frontal da estátua e o ornamento visível na parte posterior, onde a silhueta sinuosa da baleia, com cauda e barbatanas, parece emergir de um chafariz rococó.
-Habacuc o oitavo dos profetas menores, encerra a série dos profetas de Congonhas. Situa-se em posição equivalente à de Abdias, no ponto inferior do arco que une os muros dianteiro e lateral direito do adro.Novamente se repete o padrão tipográfico anteriormente utilizado para Jeremias, Ezequiel, Oséias, Joel e Jonas. O vestuário de Habacuc é composto pela mesma sotaina envergada por Naum e Jonas, desta vez acrescida de uma gola cujas pontas são ornadas de borlas. O profeta traz na cabeça o mais complicado turbante de toda a série, no qual se encontra um plano superior dividido em quatro gomos arredondados, com uma cobertura arrematada por uma borla pendente. A estátua recebeu de Aleijadinho cuidados especiais tanto por sua localização, quanto por sua execução, onde é mínima a interferência do "atelier".
-Nahum na extremidade direita do adro, ocupando o ponto superior do arco que une os muros externos dianteiro e lateral, encontra-se a estátua de Naum, o sétimo dos profetas menores. O tipo físico da figura de Naum é o de um velho de barbas longas, postura vacilante e faces maceradas. Veste uma sotaina longa, abotoada até a cintura. A intervenção do "atelier" de Aleijadinho nessa peça aparece de forma evidente, a começar pela execução do turbante que Naum traz à cabeça. Alguns detalhes, como as barras ornamentais do manto e a deficiência da articulação geral do conjunto comprovam essa intervenção, parecendo possível
que Aleijadinho tenha apenas concebido os traços iniciais da estátua.
Percorremos a Romaria que se constitui de um prédio em forma circular que servia de abrigo aos pobres no período de 7 a 14 de setembro, para os festejos do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Foi construída como uma pousada no início da década de 30, no final da Alameda das Palmeiras constituíndo-se de um conjunto de casas baixas, fechando um círculo ao redor de um imenso pátio. Para ocupar esse abrigo, cada família pagava cino mil réis, por todo o período do Jubileu. Desativada no início da década de 60 pela Administração do Santuário, foi vendida a um grupo empresarial do Rio de Janeiro, que prentendia construir ali um hotel, obra jamais realizada. Da obra original, demolida em 1968, só restaram as duas torres ligadas por um arco que compõem o seu pórtico de entrada. Em 1993, a Prefeitura Municipal recuperou o terreno com os remanescentes da velha Romaria. O pórtico começou a ser restaurado em 1994, e com uma área de 53 mil metros quadrados, a Romaria foi reconstruída, mantendo as mesmas características arquitetônicas da antiga pousada, que foi inspirada na arquitetura das capelas dos Passos da Paixão, construídas no século XVIII, sendo inaugurada em 30 de julho de 1995.A partir de sua inauguração, a Romaria passou a abrigar uma grande estrutura destinada à preservação da história, da cultura, das artes, do lazer e do turismo em Congonhas, onde você pode encontrar: - Extensão do Gabinete do Prefeito, Salão Nobre e Oficina de Arte, que também serve de Sala de Exposições. - Sede da FUMCULT, Loja de Souvenir do SERVASC (Serviço Voluntário de Assistência Social de Congonhas), Auditório com 60 lugares - Museu de Mineralogia com salas para estudos e pesquisas, Museu Sacro e Museu da Memória e uma sala dedicada à cidade portuguesa de Matosinhos. Numa das torres originais, logo na entrada, encontra-se um posto de informações turísticas. Vale a pena uma visita também está no Museu de Mineralogia e Museu de Arte Sacra que ocupa salas bem próximas ao pórtico de entrada da Romaria.
Na descida para fazer o circuito das igrejas paramos na Igreja de São José que se diferencia das demais, por suas formas arredondadas sendo construída em 1817. É rica em esculturas, tem portais trabalhados e entalhes neoclássicos.
Paramos na Igreja do Rosário que foi a primeira construída na cidade, antes mesmo que osprimeiros mineradores se fixassem na região. Erguida por escravos no final do século XVII, possui arquitetura simples.
Na Praça Sete de Setembro está a Matriz Nossa Senhora da Conceição construida em 1734 e em sua concepção podem ser percebidas várias fases do barroco. O frontispício, representando a Arca de Noé, é um dos poucos portais de autoria de Aleijadinho. Sua nave é uma das maiores de Minas Gerais, com os altares ricamente adornados por imagens. A douração da capela-mor, realizada em 1764, é atribuída a Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho.
No alto de uma colina doze profetas vigiam atentos a cidade e ficam no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos considerado a imagem de Minas. Todo o acervo que inclui a Igreja, os 12 profetas em pedra-sabão esculpidos por Aleijadinho e as 66 imagens dos Passos da Paixão de Cristo foram tombados como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Formam o mais esplêndido conjunto da arte barroca mundial.
Começamos nossa visita guiada conhecendo a história do Santuário do Bom Jesus começa por volta de 1757 quando o português Feliciano Mendes fincou uma cruz rústica no alto do morro do Maranhão. Era o início da construção de um templo dedicado a Bom Jesus do Matosinhos, para o qual fizera uma promessa. Feliciano havia se curado de uma enfermidade contraída nos muitos anos de trabalho como minerador. Com um pequeno oratório ele ia recolhendo esmolas para a construção da capela, que não chegou a ver concluída. Não existem registros sobre a autoria do risco da igreja, mas tudo leva a crer que seja do próprio Feliciano, uma vez que era oficial de pedreiro e conhecia as igrejas do Bom Jesus do Matosinhos, em Portugal. Após a sua morte, em 1765,artistas talentosos somaram seus talentos e construíram com o correr do tempo a mais maravilhosa manifestação da arte e fé barrocas. Dentre eles estavam Aleijadinho, Manoel da Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro.
O acervo da Basílica Bom Jesus dos Matosinhos encerra muitos segredos. As histórias e lendas que envolvem as estátuas geram um delicioso fascínio. O próprio Aleijadinho, o mestre maior, era um personagem envolto em mistérios. Um gênio desfigurado pela doença, mulato, filho bastardo de português com uma escrava. O ouro escasseava, num movimento inversamente proporcional .À fé daqueles homens mineiros. Minas vivia a frustração pelo fim trágico do movimento da Inconfidência. Estas e outras histórias aumentam ainda mais o interesse despertado pelas imagens de pedra e cedro.
Disse o guia que com a nova iluminação quando cai a noite se intensifica significado da arte de Aleijadinho chegando a emocionar.Entramos no Santuário onde não é permitido filmagens e fotografias. Sentamos para contemplar a beleza interna do santuário enquanto o guia contava que está Basílica nasceu da fé especial de Feliciano Mendes que trouxe a imagem de Portugal e a colocou num oratório, e na época foi se espalhando notícias de curas alcançadas. A peregrinação era tamanha que Congonhas já não conseguia comportar os inúmeros romeiros. Devido a isto foi construída, na década de 30, a Romaria.
Continua dizendo que Congonhas se tornou um importante centro de mineração e dela saíram grandes fortunas da época. As pepitas de ouro chegavam a ter o tamanho de batatas, na famosa lavra chamada Batateiro. Em 1796 a força do ouro trouxe ao então distrito de Congonhas o mago das formas, o escultor Aleijadinho com a grandiosidade de sua arte.
A seguir descemos a alameda onde estão as seis Capelas dos Passos da Paixão capelas com as 66 imagens esculpidas em cedro rosa por Aleijadinho e pintadas por Manoel da Costa Athaíde . As esculturas foram realizadas de 1796 a 1799, sendo que as capelas ainda não haviam sido construídas. As capelas da Ceia, Horto e Prisão foram construídas de 1800 a 1818.
Começamos pela capela da Ceia que foi a primeira construída para abrigar as imagens em cedro do Líbano. Foi a única erguida durante a permanência de Aleijadinho em Congonhas, supõe-se sob sua orientação. A cena é dramática e reflete a perplexidade dos apóstolos diante da revelação de Cristo: "Em verdade vos digo,um de vós há de me entregar." Cada um declara sua inocência.
A capela do Horto retrata Jesus no Jardim das Oliveiras. Nesta capela está uma obra-prima de Aleijadinho: o anjo. Simbolizando a aproximação da Paixão, ele traz na mão direita um cálice com fel a ser bebido. "Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice." Havia uma cruz em sua mão esquerda, que foi retirada em 1957, visando evitar danos À imagem. A cruz era como a previsão do suplício derradeiro. Enquanto Jesus está angustiado, os profetas Pedro, Tiago e João dormem serenamente.
A outra capela da Prisão representa um dos episódios mais conhecidos da Bíblia, o milagre da cura de Malco, soldado do pontífice máximo de Jerusalém. O apóstolo Pedro, num ato desesperado para defender Cristo, decepa a orelha de Malco com uma espada. Cristo intervém e calmamente realiza o milagre da cura. Fazem parte da cena as figuras de Cristo, Malco, Pedro, Judas e quatro soldados. Algumas delas têm 2 metros de altura. As expressões das imagens revelam um momento de tensão, misturando cólera e perplexidade. Mestre Ataíde, responsável pela policromia do conjunto, confere ainda mais dramaticidade ao episódio e sua pintura funciona como principal agente de unidade estética.
A seguinte é a capela da da Flagelação e Coroação de Espinhos : após a construção das capelas do Horto e da Prisão, as obras das demais permaneceram interrompidas por quase meio século, sendo retomadas em 1864. Todas as estátuas estavam prontas - Aleijadinho faleceu provavelmente em 1814 - e aguardavam a construção do restante das capelas. Ficou decidido que em vez de sete seriam erguidas seis capelas, o que acarretou no congestionamento do quarto Passo, que passou a abrigar dois grupos: Flagelação e Coroação de Espinhos. Quatorze peças se espremem num espaço pequeno, dificultando a compreensão imediata das cenas. Duas imagens de Cristo são atribuídas a Aleijadinho, e também uma terceira, a do segundo soldado (Flagelação), que serviu de modelo para seus discípulos confeccionarem o restante. As três se distinguem pelas expressões caricaturais dos rostos, dos olhos, queixos e rugas na testa. A policromia das peças provavelmente não foi feitas por Mestre Ataíde.
Chegamos na capela da da Subida ao Calvário que retrata um momento do caminho de Cristo para o calvário, o "Encontro com as filhas de Jerusalém", descrito no Evangelho de São Lucas. Cristo fala com duas mulheres que o seguiam chorando. A primeira enxuga as lágrimas e Cristo diz: "filhas de Jerusalém, não chorais por mim, mas chorais por vós mesmas e seus filhos." A segunda mulher segura nos braços um menino.
Em seguida na capela da Crucificação formado por onze imagens. Neste grupo podemos notar três unidades cênicas. Na zona central está Cristo, dois carrascos crucificando-o e Madalena, de joelhos, em desespero. Do lado esquerdo dois soldados disputam a túnica de Cristo. À direita estão o bom e o mau ladrão À espera do momento de também serem crucificados.
Por fim paramos defronte ao Santuário onde o Guia diz que Aleijadinho trabalhou cinco anos para concluir as obras no adro com o grupo dos 12 profetas em pedra-sabão é o considerado o mais famoso conjunto de estátuas barrocas do mundo.
Os profetas mostrados por Aleijadinho são:
-Isaías profeta do Antigo Testamento , Isaías, abre a série de honra na entrada da escadaria do lado esquerdo do Santuário.A estátua esculpida por Aleijadinho, tem o tipo físico de um personagem de idade avançada, barbas e cabelos abundantes. Veste uma túnica curta, que deixa descoberta a parte inferior das pernas calçadas de botas, sobre a qual se acha jogado um amplo manto. Segura o pergaminho com a mão esquerda, enquanto a direita aponta para o texto nele inscrito.Apresenta erros anatômicos de grande evidência, como a desproporção entre as partes superior e inferior do corpo, a estreiteza dos ombros, braços rígidos e curtos. Apesar de trazer a marca da interferência do "atelier", a expressão da cabeça de Isaías não é outra senão aquela criada pelo gênio de Aleijadinho. A verdadeira expressão de um iluminado diante de uma visão, constituindo-se em uma das mais importantes peças de todo o conjunto arquitetônico.
-Jeremias ocupa também posição de destaque na entrada da escadaria, à direita de Isaías, encontra-se o Profeta Jeremias, autor do segundo dos livros proféticos na ordem do Cânon bíblico.O tipo físico do Profeta Jeremias, esculpido por Aleijadinho, é o de um homem de meia idade, com bigodes longos nas laterais da boca e a barba curta, composta de rolos frisados, à moda bizantina. Veste túnica curta, que deixa à mostra a perna esquerda, e manto levantado sobre o ombro direito, caindo até os pés na parte superior. Segura o pergaminho com a mão direita e, na esquerda, uma pena. Na cabeça, ostenta um magnífico turbante, arrematado por abas torcidas passando entre as presilhas. Do ponto de vista anatômico, essa estátua apresenta deformidades. Entretanto, apesar dos defeitos observados, nota-se a intervenção de Aleijadinho na execução da cabeça, onde, sem dúvida, se concentra toda a força real da imagem.
-Baruc apesar de não integrar a série dos profetas do Antigo Testamento, a inclusão de Baruc no conjunto estatuário de Congonhas justifica-se pelo seu destaque na ordem do Cânon bíblico.Baruc traz nas mãos um pergaminho cuja citação é uma síntese de várias passagens de suas profecias. A escultura, situada no pedestal que arremata o muro de alinhamento central do adro, representa um personagem jovem e imberbe, vestido de túnica curta e manto, calçando botas. Traz na cabeça um turbante com bordas decoradas semelhantes às do Profeta Jeremias. Uma das mãos sustenta as pregas do manto, enquanto a outra segura o pergaminho. A peça, de proporções atarracadas e erros anatômicos evidentes, é uma das mais fracas do conjunto. A força da imagem, entretanto, vem da expressão do rosto, parte executada por Aleijadinho.
- Ezequiel do lado oposto a Baruc, no pedestal que arremata o muro de alinhamento central do adro, encontra-se Ezequiel, também conhecido como o "profeta do exílio", por ter sido banido para a Babilônia com o povo de Israel. A inscrição do pergaminho traduz a síntese de três etapas sucessivas da visão do profeta: primeiramente, aparecem-lhe quatro animais alados de quatro faces cada um, em seguida, as quatro rodas de um carro de fogo sustentando um trono de safira e, finalmente, sobre esse trono, o próprio Deus de Israel. O tipo fisionômico de Ezequiel é o mesmo de Jeremias. Usa bigodes e barba curta, seccionada em dois rolos frisados e cabelos longos caindo sobre a nuca. Ao invés da túnica curta, o Profeta veste uma túnica longa e cintada, que deixa a descoberto apenas a ponta do pé direito, Em lugar do turbante, Ezequiel traz na cabeça um barrete com viseira presa por um laço acima da nuca. Recobrindo toda a parte posterior da imagem, o manto é magnificamente decorado por uma barra com desenho devolutas entrelaçadas. A escultura não parece ter sofrido intervenção do atelier. Sua grande força de expressão revela cuidados particulares de Aleijadinho em sua execução. Além da impressionante expressão da cabeça, destaca-se também a significativa flexão do braço direito.
-O Profeta Daniel, ladeando a passagem para a entrada do adro, em frente a Oséias, encontra-se a estátua. O confronto do quarto dos profetas maiores e do primeiro dos menores, nessa situação privilegiada, revela, mais uma vez, um projeto iconográfico preciso para as posições das estátuas no adro.Os traços fisionômicos da escultura mostram um jovem imberbe como Baruc e Abdias. Entretanto, a fisionomia de Daniel difere da deles, pelo recorte especial dos olhos, a boca e o nariz longo, de narinas fortemente sulcadas, revelando em seu conjunto uma expressão altaneira e distante, própria de um herói cônscio de sua força. A coroa de louros que decora a mitra da cabeça acentua esse aspecto e é uma alusão evidente à vitória sobre os leões. Como Ezequiel, Daniel veste uma túnica longa, presa na cintura por uma faixa abotoada no colarinho. Nessa escultura, parece que Aleijadinho dispensou colaboração de seus auxiliares. Trata-se da estátua de maior dimensão de todo o conjunto e, apesar disso, a peça é monolítica e particularmente bem executada, revelando, sem dúvida, a marca do gênio de Aleijadinho.
- Oséias o mais importante dos profetas menores, Oséias, ocupa no Santuário lugar sobre o pedestal que arremata o parapeito de entrada do adro. Oséias, assim como Ezequiel e Jeremias, veste um casaco curto, abotoado da gola à barra e preso na cintura por uma faixa. A cabeça é coberta por um barrete semelhante ao de Ezequiel. Calça botas tipo borzeguins e tem na mão direita uma pena, cuja ponta, apoiada sobre a barra do manto, reproduz uma atitude de quem está escrevendo. A anatomia da escultura é correta, apesar da discrepância entre o comprimento dos dois braços.
- Joel o segundo dos profetas menores do cânon bíblico, ocupa seu lugar no adro à direita de Oséias, na junção do parapeito de entrada do adro e da parede interna lateral.A fisionomia da escultura, assim como a de Jeremias, Ezequiel e Oséias, é de um personagem viril, de barba e bigodes em rolos à moda bizantina. A roupagem é semelhante à de Oséias, sendo a gola substituída por um colarinho alto. Joel traz à cabeça o mesmo modelo de turbante com abas retorcidas, já utilizado em Jeremias e Baruc. A estátua praticamente não revela imperfeições anatômicas. É uma das mais vigorosas de todo o conjunto e sua força de expressão revela a atenção de Aleijadinho em grande parte de sua execução.
- Abdias ocupa o ponto inferior do adro que une os muros dianteiros e lateral esquerdo no adro do Santuário.A fisionomia de Abdias é de um jovem imberbe, assim como Baruc, Daniel e Amós, mas as proporções bem mais esbeltas dão a impressão de uma maior juventude. Abdias veste túnica e manto como os apóstolos da ceia, complementado apenas por um gorro simples, mas o arranjo das pregas é muito bem organizado num jogo erudito de luz e sombra.Essa estátua pode ser analisada comparativamente à do profeta Habacuc, que ocupa posição equivalente no extremo oposto do adro. Exercendo visualmente a função de baluartes laterais do adro, Abdias e Habacuc têm a mesma atitude simétrica dos braços levantados para o alto, mesmo tipo de roupagem, assim como jogo aparentemente complicado dos panejamentos. Pela posição que ocupam, ambas estátuas receberam especial cuidado de Aleijadinho, sendo provável que a intervenção do "atelier" se tenha limitado ao acabamento das partes acessórias, uma vez que as imagens são anatomicamente perfeitas.
- Amós no ponto extremo do adro, à esquerda, na parte superior do arco de circunferência que une os muros extremos dianteiro e laterais do Santuário, encontra-se a estátua do Profeta Amós. Amós difere totalmente dos demais profetas do conjunto e essa diferença se faz notar tanto no tipo físico, quanto na indumentária. Seu rosto largo e imberbe tem a expressão calma, quase bonachona, como convém a um homem do campo. Suas vestes condizem com a sua condição de pastor. Amós está vestido com uma espécie de casaco debruado de pele de carneiro e traz na cabeça um gorro, de forma semelhante ao que usam ainda hoje os camponeses portugueses da região.Dada a grande altura do muro em que está colocada, a escultura parece ter sido concebida para ser vista pelo lado esquerdo, já que o lado direito dela
apresenta deformações, como, por exemplo, a omissão da perna da calça deste lado. Como a estátua de Daniel, é uma peça praticamente monolítica, com apenas uma pequena emenda na parte superior do gorro.
- Jonas ocupando posição simétrica à de Joel, no ponto de encontro dos muros que formam o parapeito de entrada do adro à esquerda, encontra-se a estátua de Jonas. Para o mais popular dos profetas menores, Aleijadinho reservou lugar de destaque, colocando-o junto de Daniel.A estátua de Jonas repete o mesmo padrão tipográfico já anteriormente usado para as imagens de Jeremias, Ezequiel, Oséias e Joel. Sua fisionomia, entretanto, apresenta traços distintos, como a boca entreaberta com os dentes aparentes e a cabeça voltada para o alto. O vestuário de Jonas se compõe de uma espécie de batina, com colarinho, abotoada até a cintura, onde é presa com uma faixa. O profeta traz também um manto jogado sobre o ombro esquerdo e o habitual turbante em forma de mitra, com abas retorcidas. A estátua parece ter recebido de Aleijadinho o mesmo cuidado especial dispensado a Daniel. Não se nota qualquer traço indicador da intervenção do "atelier". Acham-se reunidos nessa peça dois aspectos essenciais de seu gênio criador: a capacidade de expressão dramática que caracteriza a visão frontal da estátua e o ornamento visível na parte posterior, onde a silhueta sinuosa da baleia, com cauda e barbatanas, parece emergir de um chafariz rococó.
-Habacuc o oitavo dos profetas menores, encerra a série dos profetas de Congonhas. Situa-se em posição equivalente à de Abdias, no ponto inferior do arco que une os muros dianteiro e lateral direito do adro.Novamente se repete o padrão tipográfico anteriormente utilizado para Jeremias, Ezequiel, Oséias, Joel e Jonas. O vestuário de Habacuc é composto pela mesma sotaina envergada por Naum e Jonas, desta vez acrescida de uma gola cujas pontas são ornadas de borlas. O profeta traz na cabeça o mais complicado turbante de toda a série, no qual se encontra um plano superior dividido em quatro gomos arredondados, com uma cobertura arrematada por uma borla pendente. A estátua recebeu de Aleijadinho cuidados especiais tanto por sua localização, quanto por sua execução, onde é mínima a interferência do "atelier".
-Nahum na extremidade direita do adro, ocupando o ponto superior do arco que une os muros externos dianteiro e lateral, encontra-se a estátua de Naum, o sétimo dos profetas menores. O tipo físico da figura de Naum é o de um velho de barbas longas, postura vacilante e faces maceradas. Veste uma sotaina longa, abotoada até a cintura. A intervenção do "atelier" de Aleijadinho nessa peça aparece de forma evidente, a começar pela execução do turbante que Naum traz à cabeça. Alguns detalhes, como as barras ornamentais do manto e a deficiência da articulação geral do conjunto comprovam essa intervenção, parecendo possível
que Aleijadinho tenha apenas concebido os traços iniciais da estátua.
Percorremos a Romaria que se constitui de um prédio em forma circular que servia de abrigo aos pobres no período de 7 a 14 de setembro, para os festejos do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Foi construída como uma pousada no início da década de 30, no final da Alameda das Palmeiras constituíndo-se de um conjunto de casas baixas, fechando um círculo ao redor de um imenso pátio. Para ocupar esse abrigo, cada família pagava cino mil réis, por todo o período do Jubileu. Desativada no início da década de 60 pela Administração do Santuário, foi vendida a um grupo empresarial do Rio de Janeiro, que prentendia construir ali um hotel, obra jamais realizada. Da obra original, demolida em 1968, só restaram as duas torres ligadas por um arco que compõem o seu pórtico de entrada. Em 1993, a Prefeitura Municipal recuperou o terreno com os remanescentes da velha Romaria. O pórtico começou a ser restaurado em 1994, e com uma área de 53 mil metros quadrados, a Romaria foi reconstruída, mantendo as mesmas características arquitetônicas da antiga pousada, que foi inspirada na arquitetura das capelas dos Passos da Paixão, construídas no século XVIII, sendo inaugurada em 30 de julho de 1995.A partir de sua inauguração, a Romaria passou a abrigar uma grande estrutura destinada à preservação da história, da cultura, das artes, do lazer e do turismo em Congonhas, onde você pode encontrar: - Extensão do Gabinete do Prefeito, Salão Nobre e Oficina de Arte, que também serve de Sala de Exposições. - Sede da FUMCULT, Loja de Souvenir do SERVASC (Serviço Voluntário de Assistência Social de Congonhas), Auditório com 60 lugares - Museu de Mineralogia com salas para estudos e pesquisas, Museu Sacro e Museu da Memória e uma sala dedicada à cidade portuguesa de Matosinhos. Numa das torres originais, logo na entrada, encontra-se um posto de informações turísticas. Vale a pena uma visita também está no Museu de Mineralogia e Museu de Arte Sacra que ocupa salas bem próximas ao pórtico de entrada da Romaria.Na descida para fazer o circuito das igrejas paramos na Igreja de São José que se diferencia das demais, por suas formas arredondadas sendo construída em 1817. É rica em esculturas, tem portais trabalhados e entalhes neoclássicos.
Paramos na Igreja do Rosário que foi a primeira construída na cidade, antes mesmo que osprimeiros mineradores se fixassem na região. Erguida por escravos no final do século XVII, possui arquitetura simples.
Na Praça Sete de Setembro está a Matriz Nossa Senhora da Conceição construida em 1734 e em sua concepção podem ser percebidas várias fases do barroco. O frontispício, representando a Arca de Noé, é um dos poucos portais de autoria de Aleijadinho. Sua nave é uma das maiores de Minas Gerais, com os altares ricamente adornados por imagens. A douração da capela-mor, realizada em 1764, é atribuída a Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho.


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