Neve

quarta-feira, 23 de março de 2011

Rio de Janeiro - Parati

Acordamos assustados com o notíciário informando  que a chuva que caiu durante toda a madrugada  em Angra dos Reis provocou alagamentos no Parque Mambucaba (Perequê) e várias ruas e casas do bairro ficaram alagadas e na Rodovia Rio-Santos (BR-101) onde  passamos ontem na altura Vila Histórica de Mambucaba caiu uma pedra de mais de 40 toneladas obstruindo parte da rodovia. Também dizia que na cidade de Paraty choveu 150 milímetros provocando o transbordamento do Rio Perequê-Açu ocasionando vários pontos de alagamentos sendo os locais mais atingidos  Trindade, Paraty-Mirim, Pantanal, entre outros e que algumas casas  foram parcialmente destruídas.A estrada que dá acesso ao bairro Pedras Azuis está interditada para a passagem de veículos e alguns moradores ficaram isolados.

Ufa!!! Ainda bem que não erramos no  palpite de sacrificar alguns passeios antecipando nossa saída de Angra dos Reis. 

Com tempo úmido e chuvoso as opções de passeios ficaram restritas a andar pelo centro histórico explorando a bela vila onde há possibilidade se a chuva aumentar de fazer o passeio de carruagem (R$ 5,00 pelo Centro Histórico e
R$ 10,00 por hora por pessoa num Circuito alternativo)

Começamos nossa caminhada na entrada do Centro Histórico onde está  Praça Presidente Pedreira com o Chafariz da Pedreira construído em mármore branco, em 1851, para abastecer a cidade de água, que era conduzida em tubos de pedra talhada. 

Na rua Tenente Francisco Antônio está o Sobrado dos Bonecos e Passos da Paixão onde se destaca o beiral em telhas de louça. O nome "dos Bonecos" veio das estátuas que encimavam a sua platibanda. No prédio vizinho existe uma capelas dos Passos da Paixão com pequenos altares embutidos nos prédios, fechados por portas que se abrem para a rua, destinados à Procissão do Encontro (ou Passos), na Semana Santa. Dos seis originais, restam apenas dois autênticos. Os outros quatro foram reconstruídos, porém mantém as portas originais. São abertos ao público somente durante a Semana Santa, mais precisamente na abertas apenas para as procissões da Semana Santa.

No largo de Santa Rita, ao lado da igreja de mesmo nome, nele funcionou a cadeia pública municipal até 1980, quando foi reformado. O prédio, cuja construção data do início do século XVIII, atualmente sedia o Instituto Histórico e Artístico de Paraty e sediará o futuro Museu Histórico Municipal. Aqui funciona também a Biblioteca Municipal Fabio Villaboim

Num largo fronteiro à baía de Paraty está a Igreja de Santa Rita contruída pelos pardos libertos em 1722, de arquitetura jesuítica, tem  elementos internos as características do barroco-rococó, notadamente na talha policromada do altar-mor. O conjunto, composto de igreja, consistório, sacristia, cemitério e pátio ajardinado é construído de pedra e cal.A fachada possui pilastras em cantaria, com portas em madeira trabalhada, frontão curvilíneo e trabalhos em ferro nas três sacadas do coro. O campanário possui um galo de grimpa, em cobre.Acima da nave, em sua parte frontal, localiza-se o coro, acessado pela escada do campanário. Ao fundo encontra-se a capela-mor, separada da nave por um arco cruzeiro entre dois altares. É considerada igreja barroca, embora não apresente a ornamentação rebuscada e profusa características do estilo, e que se nota nas igrejas do mesmo período em Minas Gerais.Nela funciona o Museu de Arte Sacra de Paraty, sob a responsabilidade do IPHAN.  Aberta ao público de quarta a domingo de 9h às 12h e de 13h às 18h.Ingresso: R$ 1,00 com direito a entrada no Museu do Forte.

Bem próximo está o Forte Defensor Perpétuo e Casa da Pólvora construído em 1703 para defender a cidade contra possíveis invasores. Recebeu o nome de Defensor Perpétuo em 1822, quando de sua reforma, em homenagem ao imperador D. Pedro I. Notar as trincheiras, as celas, o terrapleno e a Casa da Pólvora — uma das raras existentes no Brasil.Funcionam ali o Museu do Centro de Artes e Tradições Populares de Paraty, também subordinado ao IPHAN, aberto ao público de quarta a domingo de 10h às 12h e de 13h às 18h, e a Casa da Pólvora, aberta ao público das 10h às 12h e de 13h às 18h.

Na beira mar esta o Mercado do Peixe onde se encontra também verduras e frutas e entre o mercado e o rio Perequê-açu está a Rua Nova da Praia que em determinadas luas é inundada pelas águas da maré-alta refletindo nas águas o  casario antigo.

Cruzamos pela Rua do Fogo  uma das poucas ruas que conservam o seu primitivo nome e num dos vértices do largo de Santa Rita está à rua Maria Jácome de Melo.

A Rua Dona Geralda homenageia Geralda Maria da Silva nascida em Paraty em 1807. Benemérita, herdou de seu pai grande fortuna, que a lenda local associa à descoberta de um tesouro de piratas nesta rua está a Casa da Cultura construído no século XVIII já foi residência, escola pública e hoje é espaço público para exposições, cursos e eventos. Aberto sextas e sábados, das 13 às 21:30hs e segundas, quartas e quintas das 10 às 18:30hs. Sede da Associação Paraty Cultural.

Defronte a baía de Paraty na rua Fresca outrora denominada de rua das Dores, rua Alegre e rua do Mar, nela se destaca o sobrado dos Orleans e Bragança e onde está também a Capela N. Sra das Dores construída em 1800 por piedosas e ricas senhoras paratienses , é dedicada também aos Santos da Paixão. Os altares em seu interior encontram-se sob a invocação dos santos da Semana Santa. Destacam-se, internamente, os rendilhados de sua sacadas, em madeira. Externamente, o galo no alto da torre, indicador da direção dos ventos . Até 1820 não se encontrava concluída, tendo se constituído em uma capela da moda durante o período do Brasil Império e  abandonada até 1901. Aberta ao público às quintas-feiras pela manhã.

Chegamos a Praça do Imperador rodeada de sobrados coloniais e dominada pela Igreja de Nossa Senhora dos Remédios primeira edificação, de 1646, em taipa. Pouco tempo depois, em 1668, este templo foi demolido, dando lugar a um novo, posteriomente ampliado, e cujas obras só foram concluídas em 1873, graças aos recursos (em espécie e em mão-de-obra escrava) assegurados por Geralda Maria da Silva. De estilo neoclássico se sobressai em meio ao casario colonial por sua imponência e apresenta a sobriedade e o despojamento característicos deste estilo, em que as grandes massas se contrapõem ao ritmo dos vãos. Pelo projeto original ficou inacabados as torres sineiras e os fundos do templo.Hoje nas suas galerias superiores funciona a pinacoteca Antônio Marino Gouveia, com obras de Djanira, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Frank Schaeffer, Armando Viana e outros.

Cruzando a ponte chegamos ao Hospital S P Alcântara e Santa Casa da Misericórdia fundada em 1822, tem como patrono São Pedro de Alcântara - em homenagem ao imperador D. Pedro I. O prédio guarda, em sua arquitetura, todas as exigências para um hospital do século XIX, como, por exemplo, a solução para a ventilação do forro das enfermarias.

Na Rua Tenente Francisco Antônio ou Rua do Comércio no entroncamento com a rua Samuel Costa está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário conhecida como Igreja do Rosário sua construção iniciou-se por volta de 1725, por pedido dos irmãos Manoel e Pedro Ferreira dos Santos. Ajudaram na obra os pretos escravos e libertos da região. Em 1757 foi a primitiva igreja totalmente reformada.O douramento dos altares é obra do final do século passado.A obra foi executada por um pintor chamado, por esse motivo, de "João Dourador". O altar de São Benedito foi mandado dourar por Manoel Francisco de Alvarenga e Souza, o "Chico Souza, líder político local em pagamento de promessa e os paratynet dois pela irmandade. Nota-se que o altar de São Benedito é o mais ricamente dourado. As irmandades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos foram instituídas em 20 de agosto de 1750 e nela só podiam ingressar os homens negros.O Tesoureiro da Irmandade, porém, era sempre um branco, pois que os escravos não podiam receber dinheiro, assinar recibos e documentos.Nesta Igreja realiza-se a Festa de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no mês de Novembro. Nela existem as procissões com bandeiras brancas, com registos dos Oragos, pelos bairros e cidade, durante os 10 dias da novena.No dia da festa, pela manhã, o Rei e a Rainha dirigemse em procissão para a igreja onde são coroados e assistem a Missa Solene.À noite o Casal Real preside a procissão de encerramento, sempre portando as insígnias reais: cetro e coroa de prata e ladeados por guarda de honra.Antigamente, na véspera da festa distribuía-se comida para o povo e carne para os pobres, e no dia da festa o rei distribuía  De sombria elegância e de unidade formal, destonando do altar principal dedicado a N. Srª do Rosário, de fatura bem posterior.

Bem próximo está o prédio da  Prefeitura

No antigo caminho para o pelourinho está o Oratório de Santa Cruz das Almas - também conhecido como de Santa Cruz dos Enforcados construída no ano de 1901 em memória a um escravo liberto que morreu afogado no Rio Perequeaçú, ao lançar tarrafa numa sexta feira santa, quando a tradição não recomenda a pesca em tal dia.

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